Uma pesquisadora paraguaia alertou para um problema que ultrapassa a simples dificuldade individual dos alunos: estudantes estariam avançando de ano sem dominar adequadamente habilidades básicas de leitura, interpretação e matemática. Segundo Gabriela Walder, avaliações do Ministério da Educação e Ciências (MEC) apontam deficiências que acabam se acumulando ao longo da trajetória escolar. A dificuldade de compreender textos, por exemplo, também compromete a capacidade de resolver problemas matemáticos.
O cenário paraguaio guarda semelhanças com desafios enfrentados pelo Brasil, embora os indicadores dos dois países não sejam diretamente comparáveis. No Brasil, o Indicador Criança Alfabetizada mostrou que 66% das crianças estavam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2025, resultado superior aos 59,2% registrados em 2024. Apesar do avanço, o dado significa que uma parcela expressiva ainda não alcança as habilidades esperadas nessa etapa.
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Para a pesquisadora, o problema não pode ser atribuído exclusivamente aos estudantes ou à chamada “nova geração”. Questões sociais, alimentação, pobreza, dificuldades de acesso às escolas e escolhas pedagógicas também interferem na aprendizagem. O debate coloca em evidência um desafio comum aos sistemas educacionais da região: garantir que o avanço formal dos alunos pelas séries seja acompanhado, de fato, pelo domínio dos conhecimentos básicos necessários para as etapas seguintes.



