Dados do Ministério da Saúde encaminhados ao Congresso Nacional mostram que 1.121 indígenas Yanomami morreram entre 2023 e 2025, nos três primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. No período equivalente da gestão de Jair Bolsonaro, foram contabilizados 951 óbitos, segundo levantamento divulgado pela revista Veja.
Os números colocaram novamente a crise humanitária no território Yanomami no centro das discussões. Segundo a publicação, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, procurou a senadora Damares Alves, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, para articular uma missão conjunta ao território e acompanhar a situação das comunidades.
O governo federal, entretanto, afirma que a comparação entre as duas gestões não pode ser feita apenas pelo número bruto de mortes. Segundo o Executivo, houve forte subnotificação entre 2019 e 2022 devido à deterioração da assistência, fechamento de unidades e dificuldade de acesso às comunidades. Com a ampliação dos atendimentos e da vigilância epidemiológica a partir de 2023, mais casos e óbitos passaram a ser identificados e registrados.
A administração Lula também sustenta que os indicadores mais recentes apresentam melhora. Conforme dados oficiais, os óbitos caíram 29,5% entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2026, passando de 224 para 158. O governo afirma ainda que, nesse intervalo, foram zeradas as mortes por malária, enquanto os óbitos por desnutrição recuaram 75,7% e aqueles relacionados a infecções respiratórias agudas caíram 40,8%.
Apesar da melhora apontada nos indicadores recentes, o total de mortes registrado desde 2023 mantém a situação dos Yanomami sob atenção do Congresso, do STF e de órgãos federais. O governo afirma que continuará atuando em saúde, segurança alimentar, combate ao garimpo ilegal e proteção territorial, enquanto parlamentares acompanham a aplicação dos recursos destinados ao enfrentamento da crise.



