A vereadora Karen Santos (PSOL), de Porto Alegre (RS), causou polêmica ao afirmar que traficantes são “trabalhadores megaexplorados”. A declaração foi feita durante sessão plenária da Câmara Municipal no dia 29 de outubro, ao comentar a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro no dia 28, que resultou em dezenas de mortes de criminosos e na apreensão de armamentos pesados.
Em seu discurso, a parlamentar lamentou as críticas a “esse setor da nossa classe que procura no tráfico de drogas mecanismos de ter maior rendimento social” e questionou:
“Quem é que se sustenta com 2 mil reais, pessoal?”
Karen defendeu que o tráfico de drogas faz parte de uma “cadeia produtiva” explorada pelo capitalismo, envolvendo desde o plantio até o varejo nas favelas. Segundo ela, “é muito interessante pro capitalismo superexplorar essa cadeia produtiva […] até chegar na biqueira, [onde estão] trabalhadores megaexplorados, sem seus direitos garantidos”.
A vereadora também propôs a regulamentação das drogas como forma de acabar com a violência associada ao tráfico e criticou o que chamou de “ódio ao setor mais discriminado da nossa sociedade”, em referência à população das periferias.
A fala gerou reação nas redes sociais e entre parlamentares de diferentes partidos. Críticos apontaram que a vereadora romantiza o crime e ofende os milhões de brasileiros que sobrevivem com baixos salários sem recorrer à criminalidade.
Segundo pesquisa da AtlasIntel, divulgada após a operação, quase 90% dos moradores de favelas do Rio apoiaram a ação policial — o que contraria a narrativa de setores da esquerda que criticaram a ofensiva.
A polêmica fala de Karen Santos reacendeu o debate sobre a relação entre pobreza e criminalidade e expôs o distanciamento entre parte da esquerda e o pensamento popular sobre segurança pública no país.


































