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Inadimplência rural atinge recorde e expõe R$ 205 bilhões em dívidas problemáticas

A inadimplência do crédito rural entre produtores pessoas físicas chegou a 9,7% em agosto de 2026, o maior índice da série histórica do Banco Central. Em dezembro de 2022, o percentual era de 0,8%. Segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o avanço está associado ao encarecimento dos financiamentos, à redução das margens de lucro em determinadas atividades e ao aumento da participação do crédito privado.

Um dos principais fatores apontados pelo levantamento é a alta dos juros médios do crédito rural, que passaram de 6,3% ao ano, em 2021, para 12,2% em 2025. No mesmo período, a estimativa anual de despesas com juros subiu de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões. As dificuldades são mais acentuadas entre produtores de grãos, pressionados pela queda dos preços e pelo custo dos insumos. Nas operações com juros livres, a inadimplência chegou a 17,6%, contra 3,8% nos financiamentos com taxas controladas.

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O estudo também identificou R$ 205 bilhões em operações problemáticas em agosto de 2026, equivalentes a 23,8% do crédito rural. Cerca de três quartos desse montante estavam em contratos renegociados ou prorrogados, que não aparecem integralmente no indicador convencional de inadimplência. Até 5 de outubro, as renegociações realizadas no âmbito da Medida Provisória 1.376/2026 somavam R$ 5,98 bilhões. Para o Cepea, compreender a dimensão do endividamento exige considerar as diferenças entre as atividades, as condições de financiamento e a capacidade de pagamento de cada propriedade.

As informações são do portal Cenário MT.