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Projeção do governo aponta déficit de até R$ 23 bilhões para despesas administrativas até 2030

BRASILIA, BRAZIL - JUNE 10: President of Brazil Luiz Inácio Lula da Silva attends the Announcement Ceremony for World Environment Day at the Planalto Palace on June 10, 2026 in Brasília, Brazil. (Photo by Ton Molina/Getty Images)

Um documento encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional, junto com a proposta de Orçamento de 2027, indica que os recursos disponíveis poderão ser insuficientes para cobrir despesas não obrigatórias do Executivo nos próximos anos, respeitando os limites do arcabouço fiscal. As projeções apontam uma diferença de R$ 15,8 bilhões em 2028, R$ 14,9 bilhões em 2029 e R$ 23 bilhões em 2030. O cálculo abrange gastos com a manutenção da estrutura pública e investimentos, mas não inclui despesas obrigatórias, como aposentadorias do INSS e pagamentos do Bolsa Família.

O cenário pode exigir ajustes adicionais diante de novas propostas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os cálculos, elaborados em agosto, não consideram medidas como a transferência de R$ 5 mil para microempreendedores individuais (MEIs), o passe livre nos fins de semana e o reajuste do Bolsa Família. Segundo as estimativas apresentadas, essas iniciativas demandariam adequações de pelo menos R$ 39,8 bilhões já no Orçamento de 2027. Consultorias da Câmara dos Deputados e do Senado também apontam divergências entre as expectativas econômicas do governo e as projeções do mercado.

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Enquanto a equipe econômica prevê crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 e superávit nas contas públicas, o mercado estima expansão de 1,43% e déficit de R$ 45,4 bilhões. Em resposta, o Ministério do Planejamento afirmou que os números representam um exercício de projeção e não significam, por si só, descumprimento do arcabouço fiscal ou desequilíbrio das contas. A pasta reconheceu, porém, a necessidade de reavaliar despesas, programas e prioridades para adequar o orçamento dos próximos anos.