Disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça ganhou novos capítulos, envolvendo investigações, Polícia Federal e decisões que passaram a atingir diretamente integrantes da própria Corte
O conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça deixou de ser uma simples divergência jurídica e passou a assumir contornos de uma verdadeira queda de braço dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). A sucessão de decisões, pedidos de investigação e medidas envolvendo a Polícia Federal transformou o episódio em uma das maiores crises internas recentes da Corte.
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O “Termômetro do STF”, elaborado pelo portal Conexão Política, acompanha essa disputa por meio de uma linha do tempo com os principais acontecimentos. Na atualização consultada, são 33 fatos classificados, dos quais 21 são considerados pelo portal como favoráveis a Mendonça e 12 a Moraes, uma proporção de 64% a 36%. A ferramenta deixa claro que o placar não representa julgamento de valor, mas uma leitura dos fatos que, segundo a metodologia adotada, fortalecem cada lado.
Entre os episódios mais relevantes está a decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação. A medida ocorreu após o ministro questionar a produção e utilização de relatórios de inteligência relacionados ao caso. O episódio ampliou a tensão porque atingiu diretamente a cúpula da PF e provocou reação dentro do próprio Supremo.
Antes disso, Mendonça havia determinado o envio ao plenário do STF da apuração envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A movimentação ganhou força depois da divulgação de relatório da Polícia Federal sobre contatos e transações entre os dois. Na sequência, Moraes reagiu solicitando a investigação de Mendonça por suspeitas que incluem abuso de autoridade.
A reação de Moraes também envolveu documentos da Polícia Federal utilizados para questionar a atuação de Mendonça. O ministro pediu relatórios de inteligência sobre integrantes do STF e, posteriormente, levou ao presidente da Corte, Edson Fachin, o pedido para investigar o colega. Fachin, porém, retirou a solicitação do chamado inquérito das fake news e determinou que o caso seguisse por procedimento próprio, impondo limites à ofensiva.
Mendonça, por sua vez, apresentou a Fachin pedido de afastamento cautelar de Moraes. O movimento elevou ainda mais a temperatura da disputa e colocou o presidente do Supremo no centro da crise, justamente por caber a ele administrar os conflitos processuais que envolvem ministros da própria Corte.
A disputa ganhou outro capítulo quando o ministro Flávio Dino suspendeu a decisão de Mendonça e determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal. O episódio acrescentou uma nova camada ao conflito, com decisões de diferentes ministros produzindo efeitos sucessivos sobre o mesmo caso e aumentando a percepção pública de uma guerra interna no STF.
O quadro expõe uma questão que ultrapassa a disputa pessoal entre dois magistrados: até onde pode avançar um ministro contra outro integrante da mesma Corte e quais mecanismos devem prevalecer quando decisões judiciais passam a se sobrepor dentro do próprio Supremo. A sucessão de medidas também alimenta o debate sobre segurança jurídica, limites institucionais e a necessidade de preservar a autoridade e a imparcialidade do Judiciário.
Crédito do acompanhamento: os dados e a linha do tempo do “Termômetro do STF” utilizados nesta matéria são do portal Conexão Política, responsável pela ferramenta de acompanhamento da disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Reprodução do artigo do portal Quadro Geral.



