Produção brasileira recuou 0,1% em 12 meses, enquanto a indústria mundial avançou 3,1% no mesmo período
A indústria brasileira de transformação voltou a perder espaço no cenário internacional. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil ocupou a 69ª posição em um ranking formado por 90 países, permanecendo entre o grupo de economias com os desempenhos industriais mais fracos.
O levantamento foi elaborado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), com base em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). O resultado marca o segundo ano consecutivo de perda de posições do Brasil na comparação internacional.
Apesar do cenário negativo, houve recuperação em relação ao último trimestre de 2025, quando o país aparecia na 80ª colocação. Na comparação trimestral, já descontadas as variações sazonais, a produção industrial brasileira cresceu 1,5%, resultado ligeiramente superior à média mundial de 1,2%.
A reação, no entanto, não foi suficiente para recuperar as perdas acumuladas anteriormente. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a indústria brasileira registrou retração de 0,1%. No mesmo intervalo, a produção industrial mundial avançou, em média, 3,1%.
A diferença mostra que, embora tenha apresentado uma melhora pontual no início de 2026, o Brasil continua crescendo abaixo de seus concorrentes internacionais. O cenário ocorre em meio à manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, patamar que encarece o crédito e dificulta investimentos, compras de máquinas e expansão da capacidade produtiva.
A perda de posições também aparece na comparação com os anos anteriores. No primeiro trimestre de 2025, o Brasil ocupava a 47ª colocação. Em apenas um ano, caiu 22 posições. Em relação ao primeiro trimestre de 2024, quando estava no 33º lugar, a queda acumulada chegou a 36 colocações.
Mesmo com o desempenho abaixo da média internacional, o Brasil não ficou entre as maiores retrações do ranking. As quedas mais expressivas foram registradas por Guiné, Irlanda, Maldivas, Suíça e Catar. Já os maiores avanços ocorreram em Angola, Cazaquistão, Uzbequistão, Taiwan e Vietnã.
Os números reforçam o desafio da indústria nacional para transformar recuperações trimestrais em um ciclo consistente de crescimento. Sem um avanço contínuo da produção, o país pode continuar perdendo competitividade e participação diante de economias que ampliam seus investimentos industriais em ritmo mais acelerado.
Fonte: CNN Brasil. Acesso em: 22 de julho de 2026.

































