Estudantes do curso de Medicina da Uniderp realizaram uma manifestação na manhã desta quarta-feira (12), em Campo Grande, para cobrar melhorias na estrutura da universidade, no corpo docente e na organização acadêmica. O ato ocorreu em frente ao campus da instituição, na Avenida Ceará, e reuniu cerca de uma centena de acadêmicos, segundo veículos locais.
Com cartazes e faixas, os estudantes questionaram principalmente a relação entre os valores das mensalidades e a estrutura oferecida pela universidade. Conforme relatos dos próprios acadêmicos, as mensalidades do curso variam conforme o período e podem ultrapassar R$ 16 mil. Entre as reclamações estão salas superlotadas, vazamentos, problemas em banheiros, infiltrações e falta de estrutura adequada para atividades de tutoria. Estudantes também apresentaram registros de escorpiões encontrados nas dependências da instituição.
Uma das mensagens levadas para a manifestação dizia: “Pra onde vão meus R$ 14 mil? Estrutura precária!”. Outra estudante afirmou que alterações feitas no curso teriam prejudicado as aulas e reclamou da redução de professores e da superlotação das salas. Os acadêmicos defendem mais investimentos no corpo docente, melhores condições de ensino e ampliação das atividades práticas, especialmente durante o internato.
Mudanças nas avaliações
Outro ponto central do protesto é a implantação da chamada Avaliação de Progresso e Proficiência Clínica (APPC). Segundo os estudantes, a nova sistemática poderá interferir na progressão acadêmica e até impedir o ingresso no internato caso o aluno não alcance o desempenho mínimo exigido, mesmo que tenha sido aprovado nas demais disciplinas e estágios. O grupo afirma não ser contrário à avaliação, mas cobra regras mais claras, preparação adequada e previsibilidade na adoção das mudanças.
A insatisfação resultou inclusive em uma notificação extrajudicial encaminhada à universidade. Acadêmicos de turmas anteriores às novas Diretrizes Curriculares Nacionais questionam a aplicação das regras e pedem acesso ao regulamento da avaliação, critérios de correção, possibilidades de recuperação e fundamentos para eventual retenção dos estudantes.
O que diz a Uniderp
Em nota, a Uniderp informou que mantém um plano de melhorias para o curso de Medicina, com investimentos em infraestrutura e ações acadêmico-pedagógicas. Segundo a instituição, as intervenções previstas para agosto incluem novos laboratórios, espaços de tutoria, auditórios e melhorias em outros ambientes utilizados pelos acadêmicos.
Sobre a APPC, a universidade afirmou que a avaliação acompanha o desenvolvimento dos estudantes e faz parte das adequações às Diretrizes Curriculares Nacionais. A instituição informou ainda que representantes das turmas se reuniram com a coordenação na segunda-feira (10) e que um novo encontro está marcado para o dia 18 de agosto, quando devem ser apresentados o cronograma das obras e os investimentos previstos.

































