Quando se fala em Reforma Tributária no agronegócio, quase toda a atenção está voltada para o produtor rural. Mas existe outro grupo que também precisa começar a fazer contas: quem presta serviços para o agro.
Veterinários, agrônomos, consultores, empresas de assistência técnica, prestadores de serviços com máquinas, gestão rural e diversas outras atividades que atendem o produtor também serão impactados pelas mudanças do sistema tributário.
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E, para muitos deles, a principal pergunta será bastante simples: “quanto vou precisar cobrar pelo meu serviço para continuar tendo a mesma margem?”
Não basta olhar para a nova alíquota
Com a entrada da CBS e do IBS, a tributação sobre o consumo passa a seguir uma nova lógica. Por isso, olhar apenas para a alíquota e concluir que determinado serviço ficará mais caro ou mais barato pode levar a uma análise errada.
Será necessário entender também os créditos que o prestador poderá aproveitar, os custos da sua atividade, o regime em que está enquadrado e, principalmente, quem é o seu cliente.
Isso porque, no novo sistema, o imposto destacado na prestação do serviço também pode ter importância para quem contrata.
O produtor também vai olhar para o crédito
Imagine duas empresas oferecendo um serviço semelhante ao produtor rural. Uma cobra R$ 10 mil. A outra também cobra R$ 10 mil.
Hoje, a comparação pode terminar praticamente aí. Com a Reforma Tributária, a análise tende a mudar. Dependendo do enquadramento tributário de quem presta e de quem contrata, o produtor poderá começar a avaliar não apenas o preço do serviço, mas também quanto aquela contratação gera de crédito tributário para sua atividade.
Ou seja, o prestador poderá deixar de competir apenas pelo preço da nota. O cliente poderá querer saber:
“Quanto custa?”
“Quanto tem de imposto?”
“Esse imposto gera crédito para mim?”
“Qual é o custo efetivo desse serviço depois dos créditos?”
Isso pode mudar inclusive a forma como empresas e profissionais do agro montam seus preços e apresentam suas propostas.
E quem está no Simples Nacional?
Esse grupo merece atenção especial. Permanecer no Simples Nacional poderá continuar sendo vantajoso para muitos prestadores, mas essa decisão não deveria ser tomada apenas comparando quanto a empresa paga de imposto hoje. Também será necessário analisar o outro lado da operação.
Como o regime tributário escolhido interfere nos créditos do cliente?
Para quem presta serviços principalmente para outras empresas ou produtores enquadrados no novo sistema, essa questão pode ter peso comercial. Em alguns segmentos, o regime tributário poderá deixar de ser apenas uma decisão interna da empresa e passar a influenciar também sua competitividade.
O preço do serviço precisa ser recalculado
Um veterinário, agrônomo ou empresa prestadora de serviços não deveria esperar a Reforma estar totalmente implementada para descobrir se sua margem diminuiu. É preciso simular.
Quanto custa prestar o serviço hoje?
Quanto é pago de tributos?
Quais despesas poderão gerar créditos?
Quanto será a carga tributária no novo cenário?
O preço atual continuará deixando a mesma margem?
E como o cliente enxergará esse preço depois dos créditos?
Essas perguntas precisam ser respondidas antes de simplesmente aumentar o valor cobrado para compensar um imposto novo.
Quem atende o agro também precisa se preparar
A Reforma Tributária não é assunto apenas de quem planta soja, cria gado ou possui terra. Ela também chegará ao veterinário que atende a fazenda, ao agrônomo que presta assistência técnica, ao consultor, à empresa que presta serviços com máquinas e a diversos outros profissionais que fazem parte da cadeia produtiva.
E talvez uma das maiores mudanças esteja justamente na forma de olhar para o preço. Não bastará saber quanto você cobra pelo serviço. Será necessário saber quanto sobra depois dos impostos e quanto esse mesmo serviço efetivamente custa para o seu cliente.
Quem começar a fazer essa conta antes terá mais condições de ajustar preços, contratos e estrutura tributária sem precisar tomar decisões às pressas quando as novas regras estiverem plenamente em funcionamento.



