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O que muda com a Reforma Tributária para o Produtor Rural?

Gerado com auxílio de IA

A reforma tributária tem gerado muitas discussões sobre como as novas regras irão impactar o agronegócio. Atualmente, muitos produtores rurais não pagam tributos sobre consumo, pois o ICMS, PIS e Cofins são pagos de forma diferida pelas indústrias e revendas, com o produtor rural não sentindo diretamente esse custo no seu dia a dia. De fato, a tributação sobre consumo nunca foi um grande problema para os produtores rurais. Mas isso está prestes a mudar.

Com a transição que ocorrerá entre 2026 e 2032, a reforma trará a implementação dos tributos unificados CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), alterando significativamente o panorama tributário do setor e a forma como os produtores terão que apurar e pagar impostos.

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O que muda para o produtor rural?

A nova estrutura tributária implica que os produtores rurais serão tributados por esses novos impostos. A alíquota geral será de 28%, mas uma alíquota específica de 11% será aplicada aos produtores. Esse novo regime afeta principalmente os grandes produtores, mas traz reflexos para todos no setor.

Por exemplo, um produtor que vender R$ 800 mil em soja pagará cerca de R$ 88 mil em tributos. Porém, se ele tiver comprado cerca de R$ 200 mil em insumos, poderá gerar um crédito tributário de aproximadamente R$ 22 mil, reduzindo sua carga final para R$ 66 mil.

Mas atenção: nem todo insumo gera crédito. Portanto, o produtor precisará estar atento a essas definições para evitar surpresas e garantir que seus custos sejam passíveis de compensação tributária.

Outro ponto de atenção é que apenas produtores com receita anual superior a R$ 3,6 milhões estarão obrigados a pagar o novo imposto. No entanto, mesmo os pequenos produtores devem ficar atentos, pois a mudança pode impactá-los indiretamente.

E quais os impactos para os pequenos produtores?

Embora não tenham a obrigação de pagar diretamente os tributos, os pequenos produtores podem enfrentar desafios relacionados ao novo cenário tributário. Isso ocorre porque revendas e indústrias podem preferir comprar de quem paga imposto, uma vez que isso gera créditos tributários mais vantajosos.

Aqueles que não pagarem IBS e CBS poderão gerar apenas créditos presumidos, cuja forma de funcionamento ainda não foi definida — o que pode deixá-los em desvantagem competitiva no mercado.

Além disso, os insumos agropecuários ficarão mais caros em razão da extinção de reduções e isenções. Agora, terão um novo peso fiscal com uma alíquota de 11%, o que vai diminuir a margem de lucro do pequeno produtor.

Como se preparar para a reforma tributária?

  1. Busque orientação especializada
    A complexidade da reforma exige que os produtores busquem apoio de profissionais qualificados para garantir a conformidade com as novas regras e otimizar os benefícios tributários.

  2. Mapeie seus custos de produção e identifique créditos
    Identifique quais insumos e despesas poderão gerar créditos no novo modelo tributário. Isso permitirá um melhor planejamento financeiro e a apuração correta dos tributos devidos.

  3. Avalie a estrutura da sua fazenda ou empresa
    Verifique se sua propriedade ou negócio possui capacidade operacional e contábil para lidar com a nova rotina de apuração e pagamento de impostos, que será mais frequente e detalhada.

  4. Organize a gestão financeira e administrativa
    Estruture o controle do faturamento, custos, entrada e saída de insumos. Uma boa gestão facilitará a adaptação ao novo sistema e evitará perdas financeiras.

  5. Acompanhe as atualizações da legislação
    A Lei Complementar nº 214 e demais normas relacionadas ainda estão em processo de regulamentação. Manter-se informado é indispensável para garantir conformidade e segurança jurídica.

Conclusão

A reforma tributária trará desafios consideráveis para o agronegócio, principalmente para os produtores que hoje estão praticamente fora do radar da tributação sobre consumo. Estar bem informado e agir com antecedência será a chave para garantir que sua fazenda ou empresa se mantenha competitiva e lucrativa nesse novo cenário.

Aqueles que não se prepararem adequadamente podem acabar perdendo a oportunidade de aproveitar os créditos tributários, além de ficarem vulneráveis a um aumento de custos no processo de adaptação.

Portanto, é fundamental que os produtores comecem a se organizar agora para enfrentar a transição tributária de forma estruturada. Se você quer continuar crescendo no campo, é hora de agir e antecipar-se às regras.

Mariana Patrícia — Advogada Especialista em Direito do Agronegócio e Tributação no Agronegócio. Membra da Comissão do Agronegócio OAB/MS. Sócia Fundadora do escritório Mariana Patrícia Advocacia, especializado na defesa do produtor rural e empresas do Agronegócio.