AGORA
AGORA NO PORTAL

Últimas matérias

Novo contraceptivo masculino é implantável e promete eficácia por 2 anos — mas exige coragem

Um novo método contraceptivo masculino vem chamando atenção pelo mundo. Chamado Adam, ele é implantável, não hormonal e, sim, envolve uma pequena intervenção nos ductos deferentes — os canais que transportam o esperma. Em outras palavras: é uma aplicação na região íntima.

Desenvolvido pela empresa de biotecnologia Contraline, o Adam utiliza um hidrogel solúvel em água que funciona como uma barreira física, impedindo a passagem dos espermatozoides e levando à azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen).

Continue após a publicidade

O procedimento é descrito como minimamente invasivo, realizado com anestesia local e dura cerca de dez minutos. O gel é implantado diretamente nos ductos através de uma agulha fina, em uma técnica semelhante à vasectomia sem bisturi — mas sem cortes, e teoricamente com reversibilidade futura.

Nos testes iniciais realizados na Austrália, dois homens que participaram da fase 1 dos ensaios clínicos conseguiram manter a azoospermia por 24 meses. Nenhum evento adverso grave foi registrado, e os efeitos colaterais observados foram considerados dentro do esperado para procedimentos urológicos.

Um dos grandes diferenciais do Adam é a promessa de que o hidrogel se degrade naturalmente no corpo após um determinado tempo, o que pode permitir a restauração da fertilidade — algo ainda não garantido nos métodos definitivos como a vasectomia.

“Nosso objetivo foi criar uma opção contraceptiva de dois anos de duração, atendendo à demanda crescente por alternativas masculinas”, afirmou o diretor médico da Contraline, Alexander Pastuszak.

Promissor, mas ainda experimental

Apesar dos resultados animadores, o método ainda levanta dúvidas importantes entre os especialistas. A principal é sobre a reversibilidade: até o momento, ainda não foi comprovado em humanos que a fertilidade é realmente restaurada após a degradação do gel.

Além disso, a duração exata do efeito de um único implante e os possíveis impactos de longo prazo no bloqueio dos ductos deferentes seguem sob investigação.

O Adam é considerado experimental e ainda não tem aprovação de órgãos reguladores, como o FDA (agência de remédios e alimentos dos EUA). A empresa anunciou que recebeu autorização para iniciar a fase 2 dos ensaios clínicos na Austrália, prevista para o terceiro trimestre de 2025, com a participação de 30 a 50 voluntários.

Enquanto mais estudos não são concluídos, o que se pode dizer é que o futuro da contracepção masculina está cada vez mais próximo de ganhar novas alternativas — e que, para aderir ao novo método, será preciso um pouco de coragem, afinal, o procedimento envolve, sim, uma intervenção direta em uma das regiões mais sensíveis do corpo masculino.