O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) intensificou suas ações nesta quarta-feira (4), ao ocupar a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A ocupação busca pressionar o governo Lula por avanços concretos em políticas agrárias, incluindo assentamentos, créditos para produção e combate à insegurança alimentar.
Demandas do MST
O movimento alega que acordos firmados com o governo federal em 25 de novembro, durante manifestações em rodovias do estado, não foram cumpridos. Entre as reivindicações apresentadas, estão:
- Assentamento imediato de famílias acampadas há mais de 16 anos;
- Vistorias urgentes em terras para novos assentamentos;
- Implementação de cinturões verdes em áreas da União;
- Distribuição emergencial de cestas básicas;
- Acesso facilitado a créditos rurais e melhorias habitacionais para assentados.
Douglas Cavalheiro, líder do MST no estado, afirmou que o diálogo com a superintendência nacional do Incra é essencial para o encerramento da ocupação. “Cumprimos nossa parte ao desocupar rodovias, mas o governo não cumpriu o combinado. Não aceitaremos negociar com representantes regionais”, declarou.

Resposta do Incra
O superintendente regional do Incra, Paulo Roberto da Silva, confirmou que as reivindicações estão sendo avaliadas, mas destacou a complexidade de alguns pontos, como a destinação de terras e a ampliação das políticas de reforma agrária.
Pressão sobre o governo Lula
A ocupação reflete o descontentamento do MST com a lentidão nas ações do governo federal voltadas à reforma agrária. O movimento cobra a retomada de políticas estruturais que foram reduzidas nos últimos anos, agravando problemas como a insegurança alimentar.
Dados da Rede PENSSAN mostram que 33 milhões de brasileiros enfrentam fome, cenário que impulsiona ações como as do MST, que busca não apenas a redistribuição de terras, mas também soluções para fortalecer a segurança alimentar no país.
A ocupação da sede do Incra em Mato Grosso do Sul, planejada para durar por tempo indeterminado, é um lembrete contundente de que o tema da reforma agrária segue como um dos principais desafios do governo Lula.



