AGORA
AGORA NO PORTAL

Últimas matérias

Moraes ironiza acusações de comunismo e critica big techs em aula na FGV

Imagens: reprodução | CARLOS ALVES MOURA / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, voltou a criticar a atuação das big techs e ironizou as acusações de que seria comunista durante uma aula magna na Fundação Getulio Vargas (FGV), em Brasília, na última terça-feira (11).

“A mentalidade das big techs retornou ao mercantilismo da Companhia das Índias Orientais, de 1600, abandonou qualquer pudor capitalista. E, diferentemente do que dizem, não sou comunista. Não é possível que acreditem nisso”, afirmou Moraes.

Ironia recorrente

Esta não é a primeira vez que Moraes usa o humor para rebater alegações sobre uma suposta inclinação ideológica. No ano passado, durante um julgamento sobre o funcionamento dos algoritmos das plataformas digitais, ele fez uma declaração semelhante:

“Falei que queria comprar um carro vermelho e nunca mais parei de receber propaganda. Obviamente, em virtude do meu comunismo, eu só consulto carro vermelho, gravata vermelha. Terno vermelho é meio cafona. Então, esse não”, brincou o ministro.

Críticas às big techs

Durante sua fala na FGV, Moraes reforçou as críticas às gigantes da tecnologia, acusando-as de quererem lucrar sem assumir responsabilidades.

“Essas empresas perceberam que a União Europeia aprovou leis que os outros países vão aprovar. E a regulamentação vai começar. Esse é um perigo que venho alertando. Por enquanto, nós conseguimos manter nossa soberania, nossa jurisdição”, declarou.

Críticas internacionais e impacto político

As decisões de Moraes em relação às redes sociais têm sido alvo de críticas, inclusive no exterior. O Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos chegou a intimar oito big techs para discutir uma suposta censura imposta por governos estrangeiros. O presidente do comitê, Jim Jordan, citou diretamente Moraes, acusando-o de emitir ordens “secretas e arbitrárias” para obrigar empresas norte-americanas a removerem conteúdo sob ameaça de multas e banimento do Brasil.

O comitê ainda aprovou um projeto de lei para barrar a entrada do ministro nos Estados Unidos.

O embate com as plataformas

Moraes tem defendido a regulamentação das plataformas digitais e acusa as empresas de promoverem uma “lavagem cerebral” na população e de “falsear os fatos”.

No mês passado, em uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), ele já havia reforçado sua posição:

“Essas plataformas não são enviadas por Deus. Precisamos discutir sua regulamentação para garantir que respeitem as leis do país”, declarou.

O embate entre Moraes e as big techs deve continuar sendo um dos principais pontos de debate sobre liberdade de expressão, regulação e soberania digital no Brasil.