Apoiadores do ex-presidente socialista Evo Morales bloquearam neste sábado (16) o aeroporto de Chimoré, em Cochabamba, na Bolívia, para tentar impedir uma eventual operação de prisão contra o ex-mandatário, que enfrenta processos judiciais e três ordens de detenção no país.
Morales é acusado de abuso sexual e tráfico de pessoas em um caso relacionado a denúncias envolvendo uma adolescente em 2015. Mesmo diante das acusações, grupos ligados ao ex-presidente intensificaram protestos e bloqueios em diferentes regiões bolivianas.
Segundo o jornal boliviano El Deber, manifestantes espalharam pedras, galhos e objetos na pista do aeroporto para impedir pousos e decolagens e dificultar uma possível chegada das forças de segurança. Um dos líderes do movimento, Teófilo Sánchez, afirmou que os apoiadores estão dispostos a defender Evo Morales “mesmo que custem vidas”.
Os chamados “evistas” se juntaram a protestos que já pressionavam o governo do presidente Rodrigo Paz, eleito no ano passado. Nas últimas semanas, bloqueios em rodovias estratégicas passaram a provocar falta de alimentos, combustíveis, medicamentos e até oxigênio hospitalar, principalmente em La Paz e El Alto.
Na tentativa de conter a crise, o governo boliviano lançou neste sábado a operação “Corredor humanitário”, mobilizando cerca de 2.500 policiais e 1.000 militares para liberar estradas e permitir o transporte de suprimentos essenciais.
A operação terminou em confronto. Manifestantes utilizaram pedras, explosivos improvisados e dinamites contra agentes de segurança e jornalistas, enquanto a polícia respondeu com gás lacrimogêneo. Segundo a Defensoria do Povo da Bolívia, ao menos 57 pessoas foram presas.
Autoridades bolivianas afirmam que pelo menos três mulheres morreram após não conseguirem atendimento médico a tempo devido aos bloqueios nas estradas.
Diante da escalada da crise, Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru divulgaram uma nota conjunta demonstrando preocupação com a situação humanitária e condenando tentativas de “desestabilizar a ordem democrática” na Bolívia.
O governo boliviano acusa Evo Morales de liderar uma articulação para provocar ruptura institucional por meio dos protestos e bloqueios. Já o ex-presidente nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.
*Gazeta do Povo.

































