A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, declarou nesta sexta-feira (2.fev.2025) que o déficit de R$ 8,07 bilhões das empresas estatais, o maior da história, não deve ser classificado como “rombo”. Segundo Dweck, o resultado negativo é apenas uma demonstração contábil e não representa prejuízo, pois a maioria das empresas ainda seria lucrativa.
“Não chamem de rombo, a gente já explicou isso, é bom lembrar. Hoje, o que foi divulgado pelo Banco Central é o resultado fiscal das empresas, que pensa só as receitas do ano e as despesas do ano. Como eu já expliquei várias vezes, muitas despesas que são feitas pelas estatais são com dinheiro que estava em caixa e, portanto, ele acaba gerando resultado deficitário ainda que as empresas tenham lucro”, disse a ministra a jornalistas após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os Correios.
As estatais fecharam 2024 com o maior déficit da série histórica, iniciada em 2002. O Banco Central divulgou o relatório “Estatísticas Fiscais” nesta sexta-feira (2.fev), apontando um aumento de 255,8% no saldo negativo em relação a 2023, quando o déficit foi de R$ 2,27 bilhões. No governo Lula, o acumulado das estatais atinge R$ 10,3 bilhões.
Correios lideram déficit
Os Correios foram a estatal com maior impacto no déficit primário das empresas federais, com saldo negativo de R$ 3,2 bilhões. A estatal é presidida por Fabiano Silva dos Santos, advogado ligado ao grupo Prerrogativas, que tem histórico de apoio ao presidente Lula e atua contra processos da Lava Jato.
O déficit de R$ 4,04 bilhões se refere às empresas que compõem a meta fiscal e não inclui Petrobras e bancos estatais. Segundo Dweck, nove das 11 estatais deficitárias registraram lucro, mas seus investimentos fizeram com que aparecessem como deficitárias no balanço contábil. Os Correios, no entanto, ainda precisam se tornar lucrativos.
“O foco com os Correios é que eles sejam uma empresa lucrativa, se vai ter deficit ou superavit é o resultado das receitas do ano e as despesas do ano, é muito importante lembrar isso, não é o rombo, das 11 empresas que têm deficit foram divulgadas hoje, 9 têm lucro, portanto não é rombo. Segundo, o Tesouro não vai arcar com isso, a gente já explicou isso, não é o rombo, de novo, é o resultado pelo fato dessas empresas estarem gastando o dinheiro que está em caixa, terem aumentado os investimentos”, explicou a ministra.
Correios minimizam déficit
O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, minimizou o déficit da empresa, argumentando que o balanço oficial, a ser divulgado em março, esclarecerá se houve prejuízo ou lucro.
“Vamos aguardar a divulgação oficial dos números, ainda estão sendo contabilizados no fechamento do mês de dezembro e quando tiver, naturalmente, esses números vão ser divulgados”, afirmou Fabiano.
Questionado sobre a previsão de lucro para os Correios em 2025, ele inicialmente afirmou que a estatal está trabalhando para se tornar lucrativa, mas depois recuou, dizendo que resultados positivos podem surgir em balanços trimestrais ao longo do ano, mas não necessariamente no fechado de 2024.
Até o momento, a expectativa é que o balanço de 2024 dos Correios registre o maior prejuízo da história, superando o déficit de R$ 2,1 bilhões registrado em 2015, no governo Dilma Rousseff (PT).
*Poder 360




























