A Polícia Federal revelou um esquema de fraude envolvendo sete entidades ligadas a aposentados e pensionistas que, juntas, movimentaram cerca de R$ 1,7 bilhão por meio de acordos de cooperação com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O que chama a atenção é o perfil dos dirigentes dessas associações: em muitos casos, tratava-se de pessoas em situação de vulnerabilidade social, como uma faxineira, uma aposentada por incapacidade e até beneficiários do Bolsa Família. As investigações apontam que esses nomes serviam apenas como representantes formais, enquanto empresários e lobistas operavam o controle real das entidades por meio de procurações.
O esquema consistia, sobretudo, em realizar descontos mensais nas aposentadorias de milhares de brasileiros, sob a justificativa de prestação de serviços ou filiação a essas associações. Além do impacto financeiro sobre os beneficiários, o modelo irregular causou um prejuízo operacional de R$ 5,9 milhões ao INSS, contribuindo para o acúmulo de processos e a lentidão no atendimento da autarquia. Há suspeitas de pagamento de propinas a servidores públicos e antigos dirigentes do instituto, o que pode ter favorecido a permanência e renovação de acordos mesmo diante de irregularidades.
Segundo reportado pelo portal Metrópoles, entre as entidades investigadas, algumas foram credenciadas entre 2021 e 2023, durante gestões distintas, o que demonstra a complexidade e o alcance do problema. Os nomes ligados ao esquema também aparecem em movimentações financeiras elevadas, contratos com empresas de fachada e viagens internacionais custeadas com recursos das associações. A investigação ainda está em andamento, e os órgãos de controle prometem intensificar a fiscalização sobre os convênios firmados pelo INSS, enquanto milhares de aposentados esperam por respostas — e justiça.



