Os produtores de Mato Grosso do Sul já comercializaram aproximadamente 80% da safra de soja 2025/2026 e agora acompanham as condições climáticas nos Estados Unidos para decidir o melhor momento de vender o volume restante. A produção estadual chegou a 16,7 milhões de toneladas, segundo dados do Siga, sistema ligado à Aprosoja/MS.
A atenção está concentrada no Meio-Oeste norte-americano, onde as lavouras atravessam o período de floração. Nessa fase, que ocorre principalmente entre julho e agosto, a soja fica mais vulnerável à falta de chuva e às temperaturas elevadas. Mudanças nas previsões meteorológicas podem alterar as estimativas de produtividade dos Estados Unidos e provocar oscilações na Bolsa de Chicago, referência para os preços internacionais.
Segundo o diretor da Granos Corretora, Carlos Ronaldo Davalo, a comercialização da soja sul-mato-grossense está mais avançada que o padrão observado em anos anteriores. O ritmo teria sido impulsionado pela recuperação das cotações internacionais diante das incertezas relacionadas ao clima norte-americano.
“Normalmente, nesta época do ano, cerca de 30% da safra ainda estaria disponível para negociação no segundo semestre. Neste ano, o ritmo de comercialização foi mais acelerado, principalmente em função da recuperação das cotações em Chicago”, explicou.
Do total produzido em Mato Grosso do Sul, cerca de 20% ainda permanecem disponíveis para negociação. A demanda interna estadual é estimada em aproximadamente 5,2 milhões de toneladas.
Produtor administra estoques de soja e milho
Com a colheita da soja encerrada e o avanço da retirada do milho safrinha, parte dos agricultores passou a administrar os estoques das duas commodities. A tendência, conforme Davalo, é que os produtores priorizem a venda do milho e mantenham parte da soja armazenada, à espera de uma possível valorização.
Atualmente, a soja é negociada entre R$ 130 e R$ 132 por saca, enquanto o milho apresenta preços entre R$ 48 e R$ 50, dependendo da região do Estado.
A escolha também considera a relação de troca entre os produtos. Com a soja cotada a R$ 130 e o milho a R$ 50, uma saca da oleaginosa equivale a aproximadamente 2,6 sacas do cereal. Quanto maior essa diferença, maior tende a ser o interesse em vender o milho e preservar a soja para uma negociação futura.
Comercialização do milho chega a 32%
A produção estadual de milho safrinha está estimada em 13,8 milhões de toneladas. A colheita alcançou cerca de 24% da área cultivada, enquanto aproximadamente 32% da produção já foi negociada por meio de contratos.
A demanda anual de Mato Grosso do Sul pelo cereal é estimada em 7,5 milhões de toneladas. Com o avanço da colheita, a oferta deve aumentar nas próximas semanas, mas os preços continuarão sujeitos ao comportamento do mercado internacional, à demanda interna e às condições climáticas das lavouras dos Estados Unidos.
Fonte: Aprosoja/MS e Granos Corretora.
































