Enquanto muitos produtores rurais já estão planejando a próxima safra, uma mudança tributária importante ainda passa despercebida por grande parte do setor: a partir de 2027, a Reforma Tributária introduzirá um novo custo que poderá impactar diretamente a rentabilidade da atividade rural.
Isso significa que as decisões tomadas hoje sobre estrutura produtiva, comercialização, organização fiscal e até mesmo a forma de exploração da atividade podem determinar o tamanho do impacto financeiro nos próximos anos.
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A partir de janeiro de 2027 entra em vigor a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributo criado pela Reforma Tributária para substituir o PIS e a Cofins. Embora a mudança seja frequentemente apresentada como uma simples substituição de tributos, a realidade é que ela altera significativamente a dinâmica da tributação sobre a produção rural.
Na prática, a comercialização da produção passará a conviver com um novo componente tributário, exigindo do produtor maior controle sobre custos, créditos e planejamento fiscal. Para quem não começar a avaliar os reflexos da CBS desde agora, o impacto poderá aparecer justamente onde mais dói: na margem de resultado da atividade.
Por isso, mais do que uma mudança legislativa, a CBS representa uma mudança de gestão. E os produtores que se anteciparem terão melhores condições para adaptar sua operação e preservar a competitividade do negócio rural.
Quanto isso pesa
A alíquota cheia dos novos tributos ainda está em definição, com estimativas que circulam entre 26,5% e 28%. Parece muito, mas o agro tem um tratamento diferenciado: produtos agropecuários in natura contam com redução de 60%.
Sobre essa base reduzida, a parcela da CBS gira em torno de 3,5%, segundo as estimativas atuais.
Atenção a duas palavras: estimativas e ainda. Os percentuais não estão todos fechados, e a regulamentação pode alterar o cenário. Ou seja, o impacto pode ser diferente do projetado, para mais ou para menos.
A lógica do débito e crédito
Um ponto que muda a forma de pensar a tributação: o novo sistema funciona por débito e crédito. O que você vende gera débito; o que você compra para a atividade, com nota fiscal correta, gera crédito. O que vai efetivamente para o recolhimento é a diferença.
Isso tem uma consequência prática enorme: insumos comprados sem nota, ou com nota mal emitida, não geram crédito. E crédito que não existe vira custo.
Para culturas com muito insumo, como soja, milho e algodão, e também para a pecuária, organizar a documentação fiscal das compras deixa de ser detalhe contábil e vira fator de margem.
O que isso significa na prática
A Reforma não vai afetar só as grandes empresas, como muita gente ainda imagina. Ela alcança diretamente o resultado do produtor rural, o que ele recebe pela saca e o que sobra no fim.
Por isso, planejamento deixou de ser luxo de quem tem tempo: virou ferramenta de competitividade.
Quem entra na próxima safra sem ter simulado o efeito da CBS e sem ter organizado a documentação dos insumos pode descobrir o impacto tarde demais, quando o preço já foi fechado e o crédito, perdido.
Quem se antecipa, protege a margem.
Vale simular, ainda nesta safra, como a CBS afeta o seu resultado e revisar a documentação fiscal das suas compras de insumos, que é o que garante o aproveitamento de crédito. É um planejamento que se paga.
Mariana Patrícia
Advogada especialista em Direito do Agronegócio e Tributação no Agronegócio. Membra da Comissão do Agronegócio da OAB/MS. Sócia-fundadora do escritório Mariana Patrícia Advocacia.



