Na manhã deste sábado (10), o Corpo de Bombeiros confirmou a retirada de 12 corpos do local do acidente aéreo que vitimou 62 pessoas na tarde de sexta-feira (09), em Vinhedo, interior de São Paulo. Segundo as autoridades, dois dos corpos já foram identificados pelo Instituto Médico Legal (IML).
As equipes trabalharam intensamente durante a madrugada para localizar os corpos, utilizando equipamentos em 3D para agilizar as buscas. O resgate está sendo realizado por equipes dos Bombeiros, Perícia Criminal, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Aeronáutica.
Os corpos serão encaminhados ao IML Central, em São Paulo, que será temporariamente fechado neste sábado para concentrar esforços na identificação das vítimas do acidente. A perícia irá analisar a arcada dentária e coletar amostras de sangue de familiares para auxiliar no processo de identificação.
Os Bombeiros informaram que a remoção da fuselagem da aeronave está em andamento, com as operações sendo interrompidas sempre que uma vítima é encontrada. Ainda não há um prazo definido para o término do resgate de todos os corpos.
O acidente ocorreu na tarde de sexta-feira (09), em um condomínio residencial em Vinhedo (SP). Por volta das 13h30, a aeronave começou a apresentar problemas, entrando em uma situação de “parafuso chato”.
O avião transportava 57 passageiros e quatro tripulantes, todos os quais perderam a vida no acidente. De acordo com o governo de São Paulo, equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da Defesa Civil estão no bairro Capela, prestando atendimento à ocorrência.
A Voepass, antiga Passaredo, operadora do voo, informou que a aeronave ATR – voo 2283, de matrícula PS-VPB, decolou de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Em coletiva de imprensa, a empresa afirmou que tem oferecido assistência às famílias das vítimas e assegurou que todos os sistemas da aeronave estavam em funcionamento na manhã do acidente.
Uma das hipóteses consideradas para o acidente é a formação de gelo na asa da aeronave. A Voepass declarou que o sistema de descongelamento estava em conformidade e operando normalmente. No entanto, será necessário aguardar o relatório do Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) para determinar as causas exatas da queda do avião.
Especialistas em aviação apontam que o modelo do avião, um ATR-72, é considerado um dos mais seguros e modernos do mundo. Segundo autoridades, apenas cinco acidentes com este modelo foram registrados nos últimos 10 anos.
O ATR-72 é fabricado pela Avions de Transport Régional (ATR), uma empresa francesa resultado de uma parceria entre a Airbus e a Leonardo, companhia italiana proprietária dos helicópteros Agusta.
Este acidente com a aeronave da Voepass é o primeiro envolvendo um avião comercial desde 2007, quando uma aeronave da TAM caiu ao lado do Aeroporto de Congonhas. Desde então, passaram-se 17 anos sem acidentes com empresas comerciais no Brasil.
Na ocasião, o voo JJ-3054 da TAM colidiu com uma unidade da TAM Express ao lado do Aeroporto de Congonhas. O Airbus A320, que partiu de Porto Alegre, derrapou na pista do aeroporto, cruzou a Avenida Washington Luiz e colidiu com o setor de cargas da companhia.
Na tragédia de 2007, 199 pessoas morreram, incluindo 181 passageiros, seis tripulantes e 12 pessoas que estavam em solo. O relatório final da Anac indicou que o posicionamento incorreto de uma das manetes de potência, combinado com a pista escorregadia, contribuiu para o acidente.



