O volume de crédito rural liberado no Brasil apresenta retração na safra 2025/26, indicando um ambiente mais cauteloso para o financiamento da produção agropecuária. Dados analisados pelo estrategista de agronegócio Claudio Brisolara, com base em relatório do Sistema Faesp/Senar, mostram que o cenário de restrição se manteve ao longo do ciclo. Entre julho e fevereiro, foram desembolsados R$ 224,6 bilhões em crédito rural no país, valor 13,7% menor que o registrado no mesmo período da temporada anterior.
A redução atingiu diferentes perfis de produtores. O grupo classificado como “demais produtores” apresentou a maior queda, com retração de 19,9% no volume contratado. Já entre os médios produtores atendidos pelo Pronamp, o recuo foi de 2,6%. No Pronaf, voltado à agricultura familiar, a diminuição ficou em 2,5%, indicando impacto mais moderado nas linhas destinadas a pequenos e médios agricultores.
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Ao analisar a aplicação dos recursos, o crédito destinado a investimentos registrou a maior redução, com queda de 23,6%, seguido pelo financiamento para custeio, que recuou 14,5%. Em contrapartida, as operações voltadas à industrialização cresceram 48,7%. O cenário macroeconômico contribui para esse movimento: com a taxa Selic em 15% e a inadimplência da pessoa física em 13,47% em janeiro de 2026, instituições financeiras têm adotado critérios mais rigorosos na concessão de crédito. Em São Paulo, os desembolsos também caíram 8,1% no período, embora o setor agropecuário continue demonstrando capacidade de adaptação diante do aumento no custo do capital.



