Centenas de pessoas se reuniram na noite desta quinta-feira (22), em frente à sede do Banco Master, na Rua Elvira Ferraz, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, para protestar contra o escândalo envolvendo a instituição financeira. O ato foi convocado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e teve como principal alvo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
Imagens divulgadas nas redes sociais do MBL mostram manifestantes segurando cartazes com críticas ao magistrado, como “Toffoli, vergonha suprema”. Em publicação no Instagram, o movimento defendeu abertamente o impeachment do ministro, utilizando a hashtag “Fora Dias Toffoli”.
Durante a manifestação, também foram exibidos cartazes pedindo a prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Outros participantes fizeram referência ao chamado “resort Toffoli”, em alusão a um hotel de luxo localizado em Ribeirão Claro (PR), que teve parentes do ministro como sócios e que, posteriormente, foi formalmente vendido a um advogado ligado à JBS. O empreendimento chegou a contar com participação de fundos associados ao cunhado de Vorcaro.
Além das críticas a Toffoli, manifestantes entoaram gritos de “fora Alexandre”, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, também integrante do STF. As manifestações contra Moraes ocorreram de forma pontual ao longo do ato.
O coordenador nacional do MBL e pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, esteve presente no protesto. Segundo ele, a manifestação representa uma forma de posicionamento “contra o sistema”.
Relação entre Toffoli e o Banco Master
A relação entre o Banco Master e o ministro Dias Toffoli também envolve o campo jurídico. Toffoli é relator no STF do processo relacionado ao escândalo da instituição financeira, que foi liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
Na condição de relator, o ministro determinou sigilo sobre a ação. Investigações apontam que o banco teria realizado operações ilícitas durante anos, resultando em uma fraude estimada em mais de R$ 20 bilhões ao sistema financeiro nacional.
Daniel Vorcaro chegou a ser preso no âmbito das investigações, mas permaneceu detido por apenas 12 dias. Ele foi solto em 29 de dezembro, por decisão da desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Atualmente, o banqueiro cumpre medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
CPIs em andamento
O caso do Banco Master motivou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional. O requerimento foi apresentado pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que afirma já ter apoio suficiente para a instalação do colegiado.
Na esfera municipal, a vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) protocolou, na semana passada, um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo para investigar o escândalo envolvendo o banco. Integrante da coordenação do MBL, ela também participou da manifestação e exibiu cartaz pedindo o impeachment de Dias Toffoli.



