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Marqueteiros do PT receberam mais de US$ 10 milhões em dinheiro de Nicolás Maduro

Foto: Reprodução

Os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, responsáveis pelas campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010, receberam mais de US$ 10 milhões em dinheiro vivo diretamente de Nicolás Maduro, então ministro das Relações Exteriores da Venezuela, em 2012. Os pagamentos teriam ocorrido durante a campanha de reeleição de Hugo Chávez e foram feitos de forma parcelada e semanal, sem contrato formal, caracterizando caixa dois.

Segundo depoimento prestado por Mônica Moura à Operação Lava Jato, em 11 de maio de 2017, o dinheiro era entregue pelo próprio Maduro, em encontros realizados na Chancelaria venezuelana ou no Palácio de Miraflores, sede da Presidência. De acordo com a marqueteira, os valores variavam entre US$ 300 mil e US$ 800 mil por entrega, totalizando mais de US$ 10 milhões.

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Chávez contratou João Santana e Mônica Moura para comandar sua campanha em 2012. A aproximação do casal com o governo venezuelano teria ocorrido por indicação de lideranças do PT, especialmente do ex-deputado federal José Dirceu, que também organizou viagens dos marqueteiros a Caracas. Ainda conforme o depoimento, o contato inicial com a equipe de Chávez e Maduro foi feito diretamente por Lula.

Mônica Moura relatou que, quando havia atraso nos pagamentos, chegou a adotar um tom mais duro com interlocutores venezuelanos. “Eu vou ter de conversar no Brasil. Quem me chamou para cá foi o presidente Lula”, afirmou em depoimento gravado.

Além da campanha de Chávez, o casal também atuou na primeira campanha presidencial de Nicolás Maduro, em 2013, embora não haja informações completas sobre os valores recebidos nesse período. Segundo Mônica, o valor total cobrado pelo trabalho na Venezuela teria sido de US$ 35 milhões, mas parte expressiva nunca foi paga.

A delação aponta ainda que, além do dinheiro entregue diretamente por Maduro, os marqueteiros receberam cerca de US$ 2 milhões da Andrade Gutierrez e aproximadamente US$ 7 milhões da Odebrecht (atual Novonor). Outros US$ 15 milhões, segundo Mônica, ficaram pendentes.

Em seu depoimento, a marqueteira descreveu com detalhes o esquema de entrega do dinheiro. “O próprio Maduro me entregava malas de dinheiro. Ele mandava um carro blindado me buscar, com escolta, entrava pela garagem da chancelaria e os seguranças me levavam até a sala dele”, afirmou.

João Santana e Mônica Moura foram investigados e condenados no âmbito da Lava Jato, mas conseguiram reverter as condenações no Supremo Tribunal Federal. Em dezembro de 2023, o ministro Edson Fachin anulou as condenações, e em junho de 2024 o ministro Dias Toffoli também anulou as provas apresentadas pela Odebrecht.

Apesar de terem confessado crimes e apresentado diferentes versões ao longo das investigações — inclusive em campanhas internacionais, como a de Angola — os processos foram encerrados. Com isso, segundo os próprios autos, talvez nunca seja possível saber com precisão o total de valores recebidos pelos marqueteiros.

Os vídeos completos das delações de João Santana, Mônica Moura e do ex-funcionário André Santana permanecem públicos desde 2017, assim como os 803 páginas dos termos de colaboração, tornados acessíveis por decisão do STF.