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Arrecadação da União bate recorde em novembro impulsionada por alta de impostos

A arrecadação da União voltou a atingir um novo recorde e reforçou o peso da carga tributária sobre contribuintes e empresas. Somente no mês de novembro, o governo federal arrecadou R$ 226,75 bilhões em impostos e outras receitas, o maior valor já registrado para o período, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (22) pela Receita Federal.

Na comparação com novembro do ano passado, o crescimento foi de 3,75% em termos reais, já descontada a inflação medida pelo IPCA — um avanço que ocorre em meio a sucessivos aumentos de tributos e mudanças na legislação tributária.

No acumulado de janeiro a novembro, a arrecadação também atingiu patamar histórico, somando R$ 2,59 trilhões, com alta real de 3,25%. O resultado confirma uma trajetória de crescimento da receita pública sustentada, em grande parte, por elevação de impostos, novas taxações e maior pressão fiscal sobre a economia.

Mais impostos sobre consumo, crédito e renda

Os números englobam tributos federais como Imposto de Renda (IR), INSS, IPI, IOF, PIS/Cofins, além de receitas previdenciárias, royalties e depósitos judiciais. Apenas as receitas administradas diretamente pela Receita Federal chegaram a R$ 214,39 bilhões em novembro.

No acumulado do ano, essas receitas somaram R$ 2,47 trilhões, com crescimento real de 3,9%, mesmo em um cenário de desaceleração econômica em alguns setores.

A Receita reconhece que parte da comparação é influenciada por eventos pontuais e mudanças legislativas recentes. Ainda assim, afirma que, mesmo sem receitas atípicas, o crescimento real da arrecadação teria sido de 4,51% — evidenciando que o avanço não depende apenas de fatores extraordinários, mas de um aumento estrutural da carga tributária.

IOF dispara após mudanças na legislação

Um dos principais motores da alta foi o IOF, imposto que incide diretamente sobre crédito, câmbio e operações financeiras. De janeiro a novembro, a arrecadação do IOF somou R$ 77,55 bilhões, uma disparada de 19,88% em relação ao mesmo período do ano passado.

O crescimento foi impulsionado por mudanças nas regras de cobrança e pelo aumento de operações financeiras, especialmente aquelas ligadas à saída de moeda estrangeira e ao crédito para empresas. Em junho, o governo chegou a elevar o imposto por decreto, medida que acabou sendo derrubada posteriormente, mas que ainda assim impactou a arrecadação do ano.

Bets viram nova fonte bilionária de impostos

Outro destaque foi a taxação das casas de apostas online, regulamentadas em 2025. A arrecadação com as chamadas bets saltou de R$ 62 milhões para R$ 8,82 bilhões em apenas um ano — um aumento superior a 14.000%.

Com isso, o PIS/Cofins alcançou R$ 528,85 bilhões no acumulado do ano, alta de 2,79%, puxada principalmente pelo setor financeiro e pelas apostas virtuais.

Economia desacelera, mas arrecadação segue crescendo

Apesar dos números recordes, a própria Receita Federal admite sinais de desaceleração da atividade econômica, especialmente na indústria. A arrecadação do IRPJ e da CSLL, que incidem sobre o lucro das empresas, cresceu apenas 1,44%, enquanto o IPI avançou tímidos 0,57%, refletindo um setor industrial praticamente estagnado.

Ainda assim, o governo manteve o ritmo de arrecadação elevado, sustentado por impostos sobre consumo, crédito, renda e novas bases de tributação — ampliando a pressão fiscal sobre trabalhadores, empresários e consumidores.