A solidariedade que salva vidas esteve em pauta neste domingo (21), no Parque dos Poderes, em Campo Grande, com a realização da 2ª Caminhada Passos pela Vida – Juntos pela Doação de Órgãos e Tecidos. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) foi parceira do evento, que integra a programação do Setembro Verde e da Semana Estadual de Doação de Órgãos e Tecidos, instituída pela Lei 5.410/2019.
Entre os participantes, histórias de superação emocionaram o público. O aposentado Sebastião da Conceição relatou o período de 1 ano e meio em que aguardou por um transplante de fígado, após sofrer um mal súbito em 2023. “Quando acordei, não reconhecia ninguém. Minha expectativa de vida era de no máximo dois anos. Hoje estou aqui porque uma família, mesmo no momento de dor, disse sim à doação”, contou, após receber o transplante em maio deste ano.
Conscientização e desafios
O deputado Renato Câmara (MDB), autor da lei que instituiu a semana estadual e representante da ALEMS no evento, destacou que o maior obstáculo para ampliar os transplantes é a falta de autorização das famílias.
“O objetivo é quebrar barreiras de preconceito. Estrutura e equipe técnica existem. O limitador é o acesso, a autorização das famílias. Converse com sua esposa, seus filhos, avise que você quer ser um doador”, reforçou o parlamentar.
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2023 o Brasil registrou 41.560 pessoas na fila por transplantes de órgãos e outras 26.905 à espera de córneas. Apesar da evolução, o número de doações ainda é muito inferior ao de órgãos aptos a serem aproveitados.
A coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET-MS), Claire Carmen Miozzo, destacou que o Estado ocupa a 4ª posição nacional em transplantes de fígado por número de habitantes.
“O brasileiro é solidário. O que falta é informação. Só a família pode autorizar a doação. Conversem entre si e reforcem essa mensagem de amor”, afirmou.
SUS é referência mundial
O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, realizado de forma integral e gratuita pelo SUS, que inclui exames, cirurgias e medicamentos pós-transplante. O país é ainda o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos EUA, e ocupa a 3ª posição em registros de doadores voluntários de medula óssea, com mais de 5,9 milhões de cadastrados no Redome.
Saúde e qualidade de vida
Além da conscientização, o evento também reforçou a importância da atividade física. Representando a Fundersporte, Edmeia Pacheco destacou o vínculo entre saúde e solidariedade.
“Muitos órgãos se transformam em cinzas ou ficam embaixo da terra. Hoje, neste parque, tocamos os corações para lembrar que doar é transformar dor em vida”, disse.
O Setembro Verde e o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado no 3º sábado de setembro, seguem como oportunidades de mobilização social para ampliar a doação de órgãos e salvar cada vez mais vidas.



