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Frigoríficos de MS suspendem produção para os EUA após tarifaço de Trump

Foto: Reprodução

Frigoríficos de Mato Grosso do Sul suspenderam a produção de carne bovina destinada aos Estados Unidos após o anúncio de novas tarifas pelo governo de Donald Trump. A medida foi adotada para evitar o acúmulo de estoques, já que os embarques feitos agora já chegariam aos EUA com a taxação extra, que entra em vigor em 1º de agosto.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), ao menos quatro unidades interromperam a produção voltada ao mercado norte-americano: JBS, Naturafrig, Minerva Foods e Agroindustrial Iguatemi. Apenas o frigorífico Naturafrig se pronunciou até o momento, informando que cerca de 5% de sua produção é destinada aos EUA.

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Conforme publicou o G1 Notícias, o vice-presidente do Sicadems, Alberto Sérgio Capucci, afirmou que a paralisação é uma medida logística diante da inviabilidade financeira com a nova taxação:

“A produção de carne foi paralisada apenas naqueles setores específicos para produção aos EUA. Se eu produzir e enviar carne hoje, a carga chegará aos EUA já com a tributação adicional. A taxação causou inviabilidade financeira para os produtores.”

A Associação Brasileira de Exportadores de Carne (Abiec) confirmou a redução significativa no fluxo de produção de carne voltada aos EUA. Em nota, a entidade destacou que as indústrias já pausaram temporariamente a produção específica para o país norte-americano e estão trabalhando para redirecionar os embarques para mercados como China, Sudeste Asiático e Oriente Médio.

Estoques crescem e governo busca novos destinos

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, disse que há preocupação com o acúmulo de carne que não chegará a tempo ao mercado americano:

“Têm um volume de carne estocada que deveria ir para o mercado americano, mas que não tem mais tempo de chegar até o dia 1º de agosto. Com isso, eles [frigoríficos] passam a ajustar suas escalas de produção para buscar a relocação desse produto. Temos, então, um aumento de estoque da carne que seria direcionada aos Estados Unidos”.

Segundo ele, Chile e Egito são considerados como novos destinos potenciais para a carne produzida no estado.

Impacto nas exportações

Em 2025, a carne bovina desossada e congelada foi o principal produto exportado por Mato Grosso do Sul aos EUA, movimentando mais de US$ 142 milhões, o equivalente a 45,2% do total. No ano anterior, foram US$ 78 milhões, ou 27,8% das exportações para o país, segundo a FIEMS.

Os Estados Unidos são o segundo maior comprador da carne brasileira, atrás apenas da China. Enquanto os chineses absorvem 48% das exportações, os americanos respondem por 12%, conforme dados do Ministério da Agricultura.

Apesar da retração, o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercados, acredita que o Brasil poderá compensar a perda com novos mercados:

“Os frigoríficos vão tentar redirecionar esse produto para o mercado internacional para não gerar um efeito tão negativo. […] A nossa sorte é que tem mais 100 países comprando carne do Brasil”.

Segundo ele, a recente reabertura do mercado do Vietnã e a atuação da Abiec na China com a abertura de um escritório têm fortalecido a presença brasileira na Ásia.

Nota da Abiec na íntegra:

“Faz poucos dias que recebemos essa notícia, e o setor está tentando entender como deve atuar para reescalonar e redirecionar as cargas e a produção. O fato é que as indústrias brasileiras já decidiram pausar temporariamente a produção destinada aos Estados Unidos. Houve uma redução significativa no fluxo de produção da carne específica voltada ao mercado norte-americano.

O rearranjo está sendo feito com novos parceiros que buscamos intermediar ao redor do mundo, com possibilidades de novas aberturas de mercado. Mas, de forma imediata, esse redirecionamento ocorre para países com os quais já mantemos exportações. Obviamente, China, Sudeste Asiático e Oriente Médio são os destinos mais evidentes nesse momento em que os Estados Unidos, eventualmente, não poderão receber essa carne.

As indústrias, de fato, reduziram bastante a produção voltada aos Estados Unidos. Essa é a realidade. Estamos um pouco apreensivos quanto ao que pode acontecer. Por isso, aguardamos o avanço das negociações governamentais, enquanto, no setor privado, atuamos com os importadores e com as empresas brasileiras para entender de que forma também podemos contribuir para influenciar o governo americano a rever essa decisão em relação aos produtos brasileiros. Essa tem sido a nossa atuação no dia de hoje”.

*G1 Notícias.