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Dinheiro vivo no TJMS: diálogos bancários levantam suspeitas em investigação da PF

Divulgação | TJMS

As investigações da Operação Última Ratio, da Polícia Federal, revelou que a advogada Renata Pimentel — filha do desembargador Sideni Pimentel, um dos principais alvos da operação — tentou pagar R$ 213 mil em espécie para quitar um contrato de financiamento no Banco Bradesco. A tentativa foi frustrada pela própria gerente da instituição, que atende diversos clientes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), e que alertou sobre os limites legais e operacionais para pagamentos em dinheiro vivo.

“Inclusive, aqui no Tribunal tenho muito problema, porque vem muita gente com dinheiro para pagar boleto e a gente não pode. Tem que depositar e debitar na conta. Não vai ter como fugir, entendeu?”, disse a gerente do Bradesco a Renata Pimentel.

A Polícia Federal suspeita que os valores em espécie seriam oriundos de um esquema de venda de decisões judiciais no TJMS, que envolveria desembargadores, seus familiares e advogados. A conversa, extraída do celular de Renata durante buscas realizadas em outubro de 2023, mostra ainda que o contador da advogada sugeriu uma manobra contábil para burlar o sistema bancário: declarar o depósito como “empréstimo do sócio para a empresa”.

Renata, Sideni e Rodrigo Pimentel — pai e irmão da advogada — são apontados como integrantes centrais do esquema de corrupção investigado. A PF sustenta que filhos de magistrados atuavam como operadores financeiros, intermediando o recebimento de vantagens em troca de decisões judiciais favoráveis.

Em abril de 2022, a advogada comprou uma caminhonete S-10 de R$ 250 mil para o pai, com entrada de R$ 33 mil em espécie. A operação financeira levantou suspeitas de lavagem de dinheiro, reforçadas por diálogos em que Renata questiona ao contador como justificar o pagamento em dinheiro vivo.

Fazenda Santo Antônio e a “assessoria jurídica”

Outro caso emblemático que pesa contra Renata Pimentel é a venda da Fazenda Santo Antônio, em Corumbá (MS), pertencente ao espólio de Darci Bazanella. O imóvel estava judicialmente bloqueado por débitos tributários, mas foi liberado para venda por decisão de três desembargadores — entre eles, o pai de Renata. Mensagens apreendidas pela PF indicam que a advogada articulou a liberação da fazenda, apesar de não figurar formalmente no processo.

Por sua atuação, Renata teria recebido R$ 920 mil em pagamentos de Cláudio Bergmann, comprador da fazenda, e do advogado Júlio Greguer, representante do espólio. A PF aponta ainda indícios de pagamentos “por fora”, com imóveis transferidos em Birigui (SP) como parte do acordo.

O valor declarado da fazenda no inventário era de R$ 1,1 milhão, mas o contrato de venda fechado chegou a R$ 20 milhões. A nota fiscal emitida para justificar parte do valor pago à advogada registrava o serviço como “assessoria jurídica”, sem qualquer menção ao processo judicial específico — o que reforça as suspeitas de fraude fiscal e lavagem de dinheiro.

A Operação Última Ratio segue em curso e já resultou no afastamento de quatro desembargadores. As provas foram encaminhadas ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso, e podem aprofundar a apuração sobre o esquema que atinge o alto escalão do Judiciário sul-mato-grossense.

*As informações são do Correio do Estado.