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Jovem denuncia estupro, espera horas na delegacia, mas sai sem exame de corpo de delito

Imagem: Divulgação | Casa da Mulher Brasileira

Uma jovem de 23 anos, vítima de estupro coletivo, enfrentou dificuldades para registrar um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Campo Grande. Após esperar por quase seis horas, ela não conseguiu realizar o exame de corpo de delito, pois o serviço já havia sido encerrado devido ao horário. O caso foi divulgado pelo Campo Grande News.

A vítima procurou a delegacia nesta quinta-feira (6) para denunciar que foi violentada durante uma festa, na madrugada de domingo (2) para segunda-feira (3). Segundo relato, ela recebeu um cigarro e, após fumá-lo, não se lembra do que aconteceu. Ao despertar, estava no quintal da casa da mãe, apenas de shorts, sangrando e com dores.

Abalada, a jovem tentou contra a própria vida ingerindo medicamentos e precisou ser levada à UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Somente dias depois, mais estabilizada emocionalmente, conseguiu comparecer à delegacia. Apesar de ter passado pelo serviço psicossocial, foi orientada a retornar no dia seguinte para realizar o exame pericial.

O atraso no atendimento também afetou outras vítimas. Uma dona de casa de 42 anos, que buscava informações sobre um processo de violência doméstica, esperou três horas na Casa da Mulher Brasileira (CMB), mesmo com poucos atendimentos na fila da Defensoria Pública. Há três meses, ela foi agredida pelo ex-companheiro e registrou ocorrência na Deam. Temendo novas agressões, precisou se mudar, mas afirma que não conseguiu obter informações sobre a situação do agressor.

Os problemas na estrutura de atendimento à mulher foram tema de uma reunião entre o Ministério das Mulheres e representantes das Casas da Mulher Brasileira em todo o país. No entanto, segundo a secretária-executiva da Mulher, Angélica Fontanari, a unidade de Campo Grande não foi foco do encontro.

A reportagem do Campo Grande News tentou contato com a Prefeitura de Campo Grande, que administra a Casa da Mulher Brasileira, mas foi informada de que a responsabilidade sobre a Deam é da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública). A assessoria da Polícia Civil não respondeu até a publicação da matéria.