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Funcionária acusada de assinar laudos falsos de HIV se entrega à polícia no Rio

Jacqueline Iris Bacellar de Assis, funcionária do laboratório PCS Lab Saleme, no Rio de Janeiro, se entregou à Polícia Civil nesta terça-feira (15) após ser acusada de assinar laudos falsos de exames de HIV, que resultaram em transplantes de órgãos infectados. Ela foi acompanhada por dois advogados à delegacia na Cidade da Polícia, Zona Norte do Rio, onde cumprirá mandado de prisão temporária.

Jacqueline, auxiliar administrativa do laboratório, assinava laudos como se fosse biomédica, utilizando um registro profissional que pertencia a outra pessoa. O diploma de Biomedicina que ela havia apresentado foi rejeitado pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera, que afirmou que nunca emitiu certificado de graduação para Jacqueline. Além disso, tanto o Conselho Regional de Medicina quanto o de Farmácia confirmaram que ela não possui registro profissional.

Seu advogado, José Felix, defendeu que Jacqueline nunca exerceu funções biomédicas no laboratório e desconhece o diploma de Biomedicina. Segundo ele, ela atuava apenas como supervisora administrativa e não tinha capacitação técnica para a função atribuída.

O Caso

A investigação foi motivada após seis pacientes que receberam órgãos transplantados no Rio de Janeiro testarem positivo para o HIV. Os doadores, cujas mortes foram atestadas com laudos emitidos pelo PCS Lab Saleme, tinham resultados negativos para o vírus, quando na verdade dois deles eram soropositivos.

A falha nos exames foi descoberta após um dos pacientes, que recebeu um coração transplantado, apresentar sintomas de HIV nove meses após o procedimento. Esse caso levou à identificação de outros cinco receptores de órgãos infectados.

O laboratório PCS Lab Saleme foi contratado emergencialmente pela Secretaria Estadual de Saúde em dezembro do ano passado para realizar exames de sangue de doadores, devido à sobrecarga do Hemorio.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou o laboratório após uma fiscalização encontrar várias irregularidades, ainda não detalhadas. Desde 2021, o laboratório possui contratos com o governo do Rio, tendo recebido R$ 11 milhões para realizar procedimentos relacionados a transplantes.

As investigações continuam, com foco nos procedimentos realizados pelo laboratório e possíveis implicações de outros envolvidos no caso. Com informações do portal Pleno News.