O consumo de cigarros e dispositivos eletrônicos atingiu um nível preocupante entre os brasileiros de 16 a 24 anos. Segundo levantamento da Nexus em parceria com o A.C.Camargo Cancer Center, 19% dos jovens dessa faixa etária se declaram fumantes, percentual acima da média nacional, de 17%, e superior ao registrado entre os demais grupos. O dado chama atenção porque envolve uma parcela da população que cresceu sob campanhas de combate ao tabagismo e que, agora, também está exposta à popularização dos cigarros eletrônicos.
A preocupação aumenta porque a dependência pode começar justamente durante uma fase de intenso desenvolvimento cerebral. A nicotina pode interferir em mecanismos relacionados à aprendizagem, memória, controle dos impulsos e sistema de recompensa, além de elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial. Especialistas também apontam que ansiedade, estresse e pressão social podem favorecer o início do consumo, criando um ciclo em que a nicotina é utilizada como tentativa de aliviar desconfortos emocionais, mas acaba contribuindo para a dependência.
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O alerta se estende aos adolescentes. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, indicam que a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos passou de 16,8% para quase 30% em cinco anos. No Brasil, a venda e a distribuição desses dispositivos são proibidas pela Anvisa, que alerta para a exposição à nicotina e a substâncias potencialmente tóxicas. Em Mato Grosso do Sul, ações de prevenção vêm sendo reforçadas, enquanto o SUS oferece acompanhamento gratuito para pessoas que desejam abandonar o tabagismo.



