A ministra do Planejamento, Simone Tebet, anunciou sua saída do MDB após quase três décadas de filiação para ingressar no PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin. A mudança marca um novo capítulo na trajetória política da ministra, que pretende disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas próximas eleições.
Tebet afirmou que deve deixar o cargo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fim de março, cumprindo o prazo necessário para se tornar elegível ao pleito. A decisão foi antecipada durante evento realizado em Campo Grande (MS), onde a ministra confirmou sua intenção de concorrer.
Filiada ao MDB desde 1997, Simone Tebet construiu toda a sua carreira política na legenda, pela qual foi senadora por Mato Grosso do Sul e candidata à Presidência da República em 2022. Com a mudança para o PSB, ela passa a integrar a mesma sigla do vice-presidente da República.
Em nota oficial, o PSB destacou a chegada da ministra como um reforço importante para o partido. A legenda afirmou que Tebet reúne “firmeza moral, experiência institucional e compromisso democrático”, além de uma trajetória consolidada na vida pública.
Ao comentar a candidatura, Tebet disse que encara o novo desafio com “tranquilidade” e senso de missão. Segundo ela, a decisão foi amadurecida após conversas com o presidente Lula e com Geraldo Alckmin, além de um processo pessoal de reflexão.
“São Paulo foi o estado onde tive maior votação na eleição presidencial. Entendo que posso contribuir com o país nesse novo papel”, afirmou.
A ministra também revelou que a decisão teve influência familiar. Segundo ela, conversou com a mãe antes de aceitar o desafio político. “Eu precisava dessa bênção para seguir”, declarou.
Natural de Três Lagoas (MS), Simone Tebet é advogada, professora universitária e filha do ex-governador e ex-senador Ramez Tebet. Ao longo da carreira, foi deputada estadual, prefeita de Três Lagoas por dois mandatos, vice-governadora de Mato Grosso do Sul e senadora.
No Senado, ganhou destaque ao presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e por sua atuação em momentos importantes, como o processo de impeachment de Dilma Rousseff e a CPI da Covid.
Em 2022, Tebet foi candidata à Presidência da República e terminou a disputa em terceiro lugar, com cerca de 4,9 milhões de votos. No segundo turno, declarou apoio a Lula, movimento que contribuiu para sua aproximação com o atual governo, onde assumiu o Ministério do Planejamento.
Agora, ao deixar o MDB e ingressar no PSB, Tebet reposiciona sua atuação política de olho no Senado, mirando um dos principais colégios eleitorais do país.



