Um mutirão de cirurgias de catarata, promovido pela prefeitura de Parelhas, no Rio Grande do Norte, está sendo investigado pelo Ministério Público após grave surto de infecção. Ao menos quinze pacientes foram contaminados por uma bactéria após o procedimento, e oito deles tiveram que remover o globo ocular devido à doença.
O mutirão, realizado nos dias 27 e 28 de setembro na Maternidade Graciliano Lordão, resultou em 48 cirurgias. Entretanto, apenas os procedimentos feitos no dia 27 apresentaram contaminação. Os primeiros sintomas surgiram entre 24h e 36h após as cirurgias. Após exames, os pacientes foram diagnosticados com a bactéria Enterobacter cloacae, conhecida por ser resistente a vários antibióticos e perigosa para pessoas com imunidade baixa.
Além dos oito pacientes que perderam o olho, quatro precisaram passar por uma vitrectomia, uma cirurgia ocular complexa para remover o vítreo contaminado. Outros três estão em tratamento em casa, com a infecção controlada em cerca de 80%, mas ainda sem recuperar a visão.
A prefeitura de Parelhas garantiu assistência médica completa, suporte psicológico e custeio de tratamentos e medicamentos para as vítimas. Em comunicado, a administração municipal afirmou que as cirurgias foram realizadas pela empresa Oculare Oftalmologia Avançada Ltda., contratada após licitação, e que não houve histórico de infecções em procedimentos anteriores.
A Oculare lamentou o incidente e informou estar colaborando com as autoridades para investigar a causa da contaminação. O Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) conduzirá os testes para determinar como a infecção ocorreu.



