A seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) emitiu nesta terça-feira (17) uma nota pública de repúdio ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (15) na Marquês de Sapucaí. A crítica se concentra em uma ala da escola que, segundo a OAB, zombou de evangélicos.
A nota, assinada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIRE) e pela Comissão Especial de Advogados Cristãos (CEADC), classifica o episódio como “preconceito religioso” contra cristãos. A instituição lembrou que a liberdade religiosa é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal, especialmente no artigo 5º, inciso VI, e por tratados internacionais, como o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, do qual o Brasil é signatário.
“Qualquer conduta que implique intolerância ou discriminação religiosa representa afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos internacionais assumidos pelo país”, afirmou a OAB-RJ. A entidade reforçou ainda seu compromisso com a defesa da liberdade religiosa, a promoção da convivência pacífica entre credos e o combate a toda forma de intolerância.
Ala polêmica no desfile
A Acadêmicos de Niterói apresentou a ala chamada “Neoconservadores em conserva”, que utilizava fantasias em formato de lata de conserva, em tom de sátira. A escola descreveu a ala como uma representação dos chamados “neoconservadores”, grupo que se opõe a Lula e defende pautas como privatizações, mudanças nas regras de trabalho, flexibilização do porte de armas e exaltação militar.
Cada componente da ala usava personagens na cabeça para simbolizar setores ligados ao neoconservadorismo, incluindo fazendeiros, mulheres ricas, defensores do regime militar e evangélicos. Segundo a descrição da escola, essas figuras formariam um bloco no Congresso Nacional alinhado a valores da “família tradicional”, composta apenas por homem, mulher e filhos.

































