Márcia Regina Flores Portocarrero de Almeida Serra, mãe do vereador afastado Claudinho Serra (PSDB), foi nomeada para a corregedoria do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), órgão responsável por apurar irregularidades internas na Corte. A nomeação foi feita pelo presidente do TCE-MS, Jerson Domingos.
Claudinho Serra, que segue usando tornozeleira eletrônica, é réu por corrupção e acusado de liderar um esquema de desvio de recursos e peculato no município de Sidrolândia, onde foi secretário de Fazenda. Ele está afastado de seu cargo na Câmara Municipal de Campo Grande desde maio deste ano.
O Tribunal de Contas do Estado enfrenta sua própria crise de credibilidade, com quatro dos sete conselheiros afastados por denúncias de corrupção e peculato: Valdir Neves, Iran Coelho das Neves, Ronaldo Chadid e Osmar Jeronymo. No entanto, não há informações amplamente divulgadas sobre investigações internas conduzidas pela corregedoria envolvendo esses casos.
Operação Tromper e o esquema de corrupção
Claudinho Serra foi preso em abril deste ano durante a terceira fase da Operação Tromper, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Gaeco, ambos ligados ao Ministério Público Estadual. A operação revelou um esquema que envolvia fraudes em licitações no município de Sidrolândia:
- Empresas vinculadas ao grupo criminoso apresentavam propostas com preços abaixo do mercado para garantir contratos públicos;
- A prefeitura realizava vários empenhos de valores, independentemente da real necessidade dos serviços;
- Empresários do esquema dividiam margens de lucro baseadas nos valores obtidos ilegalmente;
- Claudinho Serra, como ex-secretário de Fazenda, era apontado como mentor e gestor do esquema.
Após 23 dias preso, Claudinho conseguiu liberdade provisória, mas segue monitorado por tornozeleira eletrônica.
Nomeação polêmica
Márcia Regina, que foi secretária no governo Zeca do PT nos anos 2000, agora assume um papel na corregedoria do TCE-MS, órgão que deveria combater irregularidades como as que envolveram seu próprio filho. Sua nomeação gerou questionamentos em meio ao cenário de fragilidade institucional do Tribunal, agravado pelo afastamento de conselheiros por práticas semelhantes às imputadas ao vereador.
Pedidos de cassação contra Claudinho chegaram a ser apresentados na Câmara Municipal de Campo Grande, mas foram arquivados sob a justificativa de que os crimes foram cometidos antes de sua posse como vereador.
A situação traz à tona debates sobre ética, integridade e a capacidade de instituições públicas lidarem com casos de corrupção e conflitos de interesse.
*As informações são do Correio do Estado.




























