Durante uma entrevista concedida nesta segunda-feira (30), no México, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu a questionamentos sobre sua ausência de comentários em relação à crise política na Venezuela durante seu discurso na 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, no último dia 24 de setembro. Lula indagou por que precisaria abordar o tema em todas as suas falas públicas, mostrando-se desconfortável com a insistência sobre o país vizinho.
“Por que eu tenho que falar da Venezuela em todo lugar? Eu não falo nem da Janja em todo lugar. Por que eu vou falar da Venezuela? Eu falo o que me interessa falar. O discurso que eu queria fazer [na ONU] era aquele. E foi muito bom discurso”, afirmou o presidente, referindo-se à sua esposa e reforçando que seu foco é pautado por aquilo que considera relevante em cada contexto.
Na Assembleia da ONU, Lula defendeu a importância da democracia, mas não mencionou diretamente a crise eleitoral venezuelana, marcada pela falta de transparência e pela controvérsia envolvendo o regime de Nicolás Maduro, que se declarou vencedor no pleito. O opositor Edmundo González foi forçado a deixar o país após o resultado. Apesar da pressão internacional, Lula tem mantido uma postura de não reconhecer abertamente qualquer vencedor na eleição, adotando um tom cauteloso.
“É importante que a gente tenha comedimento no nosso comportamento, porque, se eu acho que a pessoa errou, e eu achar que eu tenho que radicalizar para consertar esse erro, eu vou criar um caminho sem volta. Eu, em política, sempre costumo deixar uma porta aberta”, explicou Lula, defendendo a necessidade de manter o diálogo e não adotar posturas extremas, mesmo diante de situações delicadas como a da Venezuela.
O presidente brasileiro, ao não mencionar diretamente a situação venezuelana na ONU, reforça sua abordagem pragmática e diplomática, preferindo evitar confrontos diretos que possam comprometer futuras negociações. Lula já foi criticado por não adotar uma postura mais firme em relação ao regime de Maduro, mas sua resposta no México indica que ele pretende manter sua estratégia de cautela e foco em questões que considera prioritárias para seu governo.
As informações são do Pleno News.



