O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) investiga uma organização suspeita de utilizar contratos para venda de livros paradidáticos como parte de um esquema que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, condicionava o acesso a exames, cirurgias e leitos hospitalares da rede pública estadual à aquisição do material. O Procedimento Investigatório Criminal também registra que investigados mencionavam lideranças políticas durante negociações com municípios para reforçar a credibilidade das tratativas. A operação cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em cidades de Mato Grosso do Sul, além de São Paulo e Goiás.
Entre os presos está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos, que, conforme apurado durante a investigação, teria obtido cerca de R$ 20 mil junto a uma gráfica igualmente investigada. Também foram presos servidores públicos, empresários, advogados e pessoas ligadas à área da saúde. Parte dos investigados já prestou depoimento e foi encaminhada ao sistema prisional, enquanto outras oitivas ocorreram posteriormente. A defesa de uma das investigadas informou que solicitará a revogação da prisão por ela estar em período de amamentação.
De acordo com o Gaeco, a organização atuava por meio da cooptação de servidores para direcionar contratações públicas, principalmente por inexigibilidade de licitação, destinadas à compra de livros paradidáticos. O Ministério Público estima que os contratos investigados movimentaram mais de R$ 27 milhões, valores que teriam sido distribuídos entre integrantes do grupo e terceiros para ocultar a origem dos recursos. A investigação também apura possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e outros delitos contra a administração pública. Até o momento, os fatos seguem sob investigação e os envolvidos terão assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Com informações do portal Investiga MS.































