As despesas da União devem chegar a 19,5% do PIB em 2026, segundo o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, divulgado pelo governo federal. O percentual é o maior desde 2020, ano marcado pelos gastos extraordinários da pandemia, quando as despesas chegaram a 25,6% do PIB. A nova projeção ocorre em um ano de eleições gerais e coloca o aumento dos gastos públicos no centro do debate sobre a condução fiscal do governo Lula.
A projeção de despesas aumentou em mais de R$ 22 bilhões nos últimos dois meses. Entre os fatores estão créditos extraordinários relacionados a subsídios para combustíveis e o reajuste de 15% no Bolsa Família, com impacto estimado em R$ 5,8 bilhões ainda em 2026. O governo também considera a possibilidade de outros R$ 5 bilhões em subvenções ao diesel. A combinação de novas despesas em pleno calendário eleitoral alimenta críticas sobre o uso da política fiscal e o espaço para medidas de caráter popular às vésperas das urnas.
Continue após a publicidade
A deterioração das projeções também aparece no resultado fiscal: a estimativa de déficit das contas públicas para 2026 subiu de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirma que parte relevante dessas despesas é temporária e está relacionada aos efeitos da guerra. O próprio governo, porém, anunciou nesta quinta-feira contenção de R$ 16,1 bilhões nas despesas, incluindo R$ 13,6 bilhões em contingenciamento para o cumprimento da meta fiscal. O cenário expõe a contradição entre a ampliação de gastos e a necessidade simultânea de controlar as contas públicas.
As informações são do portal da Revista Oeste.



