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Ex-mulher denuncia esquema, e PF desmonta fraude milionária em lojas de Campo Grande

A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quarta-feira (3), a Operação Uxoris, que desmantelou um esquema milionário de contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro com atuação direta em Campo Grande. A investigação aponta que parte das mercadorias ilegais era distribuída e revendida em lojas físicas da Capital, além de marketplaces usados para pulverizar o produto em todo o país.

Campo Grande no centro da rota

De acordo com a PF, a organização criminosa operava uma estrutura sofisticada para importar eletrônicos, acessórios e itens de alto valor sem qualquer registro fiscal ou aduaneiro. As cargas chegavam ao Brasil de forma clandestina e eram rapidamente escoadas para estabelecimentos de Campo Grande, que funcionavam como pontos estratégicos de redistribuição.

A quadrilha teria movimentado pelo menos R$ 40 milhões utilizando empresas de fachada e um método paralelo de envio de dinheiro ao exterior, conhecido como dólar-cabo — mecanismo clandestino usado para pagar fornecedores internacionais sem passar pelo sistema bancário oficial.

Denúncia da ex-mulher

O estopim da investigação foi uma denúncia apresentada à Receita Federal pela ex-esposa do líder da organização. Ela relatou que seus documentos tinham sido usados indevidamente para abrir empresas fictícias que serviam como base para o esquema.

A partir da denúncia, os investigadores descobriram ao menos 14 empresas criadas para “esquentar” mercadorias e movimentar os lucros obtidos com o contrabando.

Mandados, bloqueios e ação em dois estados

Com base no relatório da PF e do Ministério Público Federal, a Justiça Federal autorizou:

  • 9 mandados de busca e apreensão

  • Bloqueio de bens, valores e imóveis, somando cerca de R$ 40 milhões

  • Suspensão das atividades das 14 empresas envolvidas

As diligências foram cumpridas em Mato Grosso do Sul e São Paulo, incluindo residências e comércios ligados ao grupo.

A operação segue em andamento, e as autoridades afirmam que novas etapas podem ocorrer conforme avançam as análises financeiras e fiscais.