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Dólar atinge novo recorde histórico apesar de leilões do Banco Central

O dólar fechou nesta segunda-feira (16) em alta de 1,03%, a R$ 6,0934, registrando a terceira sessão consecutiva de valorização e alcançando a maior cotação de fechamento em três décadas do Plano Real. O avanço ocorreu mesmo com as intervenções do Banco Central (BC), que realizou leilões de venda de moeda estrangeira à vista, com compromisso de recompra, somando US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 28 bilhões).

A valorização do dólar é resultado de uma combinação de fatores, como a desconfiança do mercado em relação ao compromisso fiscal do governo, a piora nas projeções de inflação e a busca por proteção cambial diante de um cenário de incertezas.

1. Desidratação do pacote fiscal

O governo federal enviou ao Congresso um pacote de cortes de gastos, com a expectativa de economizar R$ 327 bilhões em cinco anos. Entre as propostas estão a contenção do crescimento do salário mínimo, alterações no abono salarial e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de ajustes na previdência dos militares.

No entanto, há temor no mercado de que essas medidas sejam desidratadas durante a tramitação no Congresso. Com o recesso parlamentar próximo (de 23 de dezembro a 1º de fevereiro), investidores demonstram ceticismo sobre a viabilidade do plano no curto prazo, o que gera aversão ao risco e demanda por ativos mais seguros, como o dólar.

2. Piora da percepção econômica

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (16), reforçou a deterioração das expectativas de inflação, apesar da recente elevação da taxa Selic para 12,25% e da sinalização de novos aumentos por parte do Comitê de Política Monetária (Copom).

Além disso, declarações do presidente Lula, em entrevista no domingo (15), criticando o aumento da Selic, ampliaram as dúvidas sobre a disposição do governo em controlar os gastos públicos.

O Tesouro Nacional também divulgou projeções preocupantes: a dívida bruta pública deve atingir 77,7% do PIB em 2024, com tendência de alta até 2026.

3. Busca por proteção cambial

A instabilidade no cenário fiscal e econômico leva investidores a buscar proteção cambial. Analistas explicam que, diante da incerteza, há uma forte demanda por dólares como forma de blindagem contra possíveis oscilações do mercado doméstico.

4. Demanda sazonal de fim de ano

Além das questões econômicas e políticas, a alta do dólar é impulsionada pela demanda típica do fim de ano, quando empresas realizam remessas de lucros e dividendos ao exterior. Segundo operadores do mercado, a demanda reprimida intensificou as compras da moeda americana, especialmente após os leilões do Banco Central não conseguirem reverter a pressão de alta.

O cenário combina desconfiança fiscal, deterioração das expectativas econômicas e pressões sazonais, o que resultou em uma corrida por dólares e, consequentemente, na cotação recorde. A intervenção do Banco Central, embora relevante, foi insuficiente para conter o avanço da moeda americana diante do pessimismo do mercado.