A Terra Indígena Guyraroká, em Caarapó (MS), registrou novos episódios de tensão na madrugada desta segunda-feira (29), quando equipes da Polícia Militar ouviram disparos de arma de fogo próximos à divisa com a Fazenda Ipuitã. Durante patrulhamento preventivo, os policiais identificaram um homem armado que teria disparado contra um drone de monitoramento. O caso foi registrado e encaminhado à Justiça para investigação.
Além do risco de confrontos, moradores guarani-kaiowá relatam efeitos de pulverizações aéreas de agrotóxicos provenientes de lavouras vizinhas. Sintomas como dores de cabeça, vômitos, diarreia e irritações na pele atingem principalmente crianças, gestantes e idosos. A comunidade afirma que a expansão do cultivo de soja e milho a partir de 2019 intensificou o uso de herbicidas, prejudicando a produção de alimentos tradicionais como milho, mandioca e abóbora. Em protesto, indígenas chegaram a ocupar a Fazenda Ipuitã em setembro, reivindicando o cumprimento da demarcação já reconhecida para o território.
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O histórico jurídico da região também contribui para o clima de insegurança. Embora a Terra Indígena Guyraroká tenha sido reconhecida pelo Ministério da Justiça em 2009, decisão do Supremo Tribunal Federal em 2014 anulou parte do reconhecimento. Desde então, a comunidade aguarda novo julgamento de ação rescisória e tramita ação do Ministério Público Federal contra a União e a Funai, que busca indenização por danos históricos à população. O impasse mantém a área sob disputa e eleva a tensão entre indígenas e produtores rurais.
Caarapó News.



