Medidas para evitar a insolvência
Em documento obtido pelo Poder360, a administração dos Correios anunciou medidas emergenciais para evitar a insolvência. Entre elas:
- Suspensão de contratações por 120 dias;
- Renegociação de contratos vigentes, com redução de ao menos 10% nos valores para 2024 e 2025;
- Prorrogação de contratos apenas com recursos economizados pelas renegociações.
As ações visam reequilibrar o orçamento e impedir que a estatal entre em colapso financeiro.

Revisão de receitas e causas do rombo
A previsão de receita da estatal foi ajustada de R$ 22,7 bilhões para R$ 20,1 bilhões, resultando em um déficit estimado de R$ 1,7 bilhão. A gestão dos Correios atribui parte das dificuldades à administração anterior (2019-2022) e à política fiscal conhecida como “taxa das blusinhas”, que afetou as importações.
No entanto, analistas destacam a deterioração das contas durante a gestão do advogado Fabiano Silva dos Santos, indicado à presidência dos Correios pelo grupo Prerrogativas, alinhado ao governo Lula. Uma das decisões mais polêmicas foi a não apresentação de recurso em uma ação trabalhista de R$ 600 milhões, impactando o orçamento da empresa. A medida está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Além disso, a estatal assumiu a cobertura de uma dívida de R$ 7,6 bilhões do Postalis, fundo de pensão dos funcionários, agravando o cenário.
Comparação com o governo Bolsonaro
Durante o governo Jair Bolsonaro, os Correios registraram o maior lucro de sua história: R$ 3,7 bilhões. À época, a estatal estava no Programa Nacional de Desestatização e era vista como uma das principais candidatas à privatização.
Com Lula, o programa de privatizações foi praticamente encerrado. Além dos Correios, outras empresas estatais, como EBC, Serpro e Dataprev, foram retiradas da lista de privatizações, enquanto o prejuízo da estatal de correspondências só aumentou.
Promessas de modernização e novos desafios
Apesar de prometer modernizar os Correios, a atual gestão enfrenta críticas pela falta de investimentos efetivos e pela ampliação do déficit. Em meio à crise, um concurso público foi aberto para 3.511 vagas, com salários entre R$ 2,4 mil e R$ 6,9 mil.
O cenário financeiro da estatal levanta debates sobre a viabilidade de sua manutenção no modelo atual, enquanto as medidas emergenciais tentam evitar um colapso iminente.



