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Com prejuízo recorde, Correios enfrentam risco de despejo em 200 imóveis

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história. Após três anos consecutivos de prejuízo, a estatal corre o risco de despejo em 200 imóveis alugados, incluindo 206 agências e outros espaços essenciais, como centros de distribuição e tratamento de cartas. A situação reflete o rombo acumulado de R$ 2 bilhões registrado entre janeiro e setembro de 2024, o maior déficit financeiro desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Dívidas e ações de despejo em andamento

Notificações recebidas pelos Correios apontam que 122 imóveis já possuem ações judiciais em curso, com possibilidade de execução a partir de 30 de novembro. Além disso, 127 contratos de locação estão com prazo para vencimento até o final do ano, agravando o cenário.

Entre os problemas enfrentados está o aluguel de um centro de tratamento de cartas em Contagem (MG), interditado em outubro devido a problemas estruturais, segundo a estatal. No entanto, o proprietário do imóvel, um fundo de investimento, questionou a justificativa, exigindo laudos técnicos. Após inspeção, a Defesa Civil autorizou o uso do galpão, mas o impasse sobre pagamentos permanece.

A estatal acumula dívidas de R$ 9,5 milhões, incluindo aluguéis atrasados, IPTU e demandas judiciais. Como resposta, adotou um teto de gastos de R$ 21,96 bilhões para 2024 e restringiu renovações de contratos a negociações que gerem economia.

Queda na receita e explicações

Os Correios atribuem parte do prejuízo à “frustração de receitas” causada pela queda no volume de encomendas e à chamada “taxa das blusinhas” – termo usado para descrever a menor quantidade de produtos importados para entrega no Brasil. A previsão de receita para 2024 foi revisada de R$ 22,7 bilhões para R$ 20,1 bilhões, enquanto as despesas devem cair para R$ 21,9 bilhões, gerando ainda um déficit projetado de R$ 1,7 bilhão.

Apesar das dificuldades, a estatal mantém um concurso público em andamento para a contratação de 3.511 funcionários, com salários que variam de R$ 2.429,26 a R$ 6.872,48. A decisão contrasta com os esforços para evitar a insolvência e um eventual resgate financeiro pelo Tesouro Nacional.

De lucros históricos ao prejuízo atual

Os Correios registraram lucros consecutivos entre 2017 e 2021, durante as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, somando quase R$ 4 bilhões no período. O melhor resultado ocorreu em 2021, com lucro de R$ 2,3 bilhões, impulsionado por programas de demissão voluntária. Atualmente, a estatal emprega cerca de 88 mil funcionários, um número inferior aos 115 mil de 2017.

O prejuízo, que voltou a crescer em 2022, é associado a problemas de gestão, aumento de custos e heranças contábeis acumuladas ao longo das últimas décadas. A diretoria da estatal argumenta que parte das dificuldades financeiras atuais reflete os desafios herdados da administração anterior.

Enquanto medidas administrativas tentam conter o rombo, o risco de despejo em centenas de imóveis e a queda na projeção de receitas lançam dúvidas sobre a sustentabilidade da estatal nos próximos anos.