Chimpanzés e bonobos parecem usar o contato físico como uma ferramenta para reduzir tensões dentro do grupo. Abraços, beijos, afagos e outros gestos amigáveis foram observados antes de situações de competição, segundo um estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.
Os pesquisadores acompanharam os animais em santuários na República Democrática do Congo e na Zâmbia. Para criar uma situação de disputa, os primatas receberam uma quantidade limitada de amendoins e precisaram compartilhar o mesmo espaço durante a alimentação.
Carinho antes da disputa
Durante as observações, os cientistas perceberam uma relação entre o contato amigável e o comportamento durante a refeição. Indivíduos que haviam tido mais interações físicas positivas antes da alimentação apresentaram maior tendência a permanecer tranquilos enquanto compartilhavam a comida.
O resultado sugere que o contato social pode ajudar a preparar os animais para momentos em que a competição tende a aumentar. Em vez de ser apenas uma demonstração de afeto, o gesto pode cumprir uma função importante na convivência.
Abraços, beijos e outros gestos
Os registros incluíram abraços, beijos, afagos e tapinhas. Em algumas situações, os animais chegavam a se abraçar por trás, formando uma espécie de sequência entre os indivíduos.
Os pesquisadores descrevem esses contatos como possíveis sinais de tranquilização. A interação pode reforçar os vínculos antes de um período de competição, transmitindo uma mensagem social semelhante a uma demonstração silenciosa de confiança.
Chimpanzés e bonobos têm diferenças
Apesar das semelhanças, chimpanzés e bonobos não apresentaram exatamente o mesmo padrão de interação. Entre os bonobos, as fêmeas mostraram maior tendência a trocar contatos amigáveis com outras fêmeas.
Nos chimpanzés, o contato físico amigável foi mais frequente entre machos. Para os cientistas, essas diferenças podem estar relacionadas à forma como cada espécie organiza sua vida social.
O ambiente social também importa
A associação entre contato físico e convivência tranquila não apareceu com a mesma intensidade em todos os grupos analisados. O efeito foi mais evidente em comunidades consideradas socialmente mais tolerantes.
Em grupos com estruturas de liderança mais rígidas, essa relação não ocorreu da mesma forma. O achado indica que o contexto social pode influenciar o papel do toque na prevenção de conflitos.
Gestos que indicam confiança
Alguns comportamentos observados chamaram atenção por serem incomuns para os padrões humanos. Entre os chimpanzés, houve situações em que um animal colocava a mão ou os dedos na boca de outro. Também foram registrados contatos com regiões íntimas do corpo.
Segundo a interpretação dos pesquisadores, esses gestos podem estar associados à confiança. Permitir que outro indivíduo se aproxime de uma região vulnerável pode indicar que existe uma relação suficientemente segura entre os animais.
O que o comportamento revela sobre humanos
A descoberta também ajuda a levantar questões sobre a evolução do comportamento social humano. Assim como os primatas, seres humanos usam o contato físico para demonstrar confiança e aliviar tensões. Abraços, apertos de mão e tapinhas no ombro são exemplos de sinais que podem transmitir apoio sem a necessidade de palavras.
Chimpanzés, bonobos e humanos compartilham um ancestral comum que viveu há milhões de anos. Por isso, os pesquisadores consideram possível que o uso do toque para fortalecer vínculos e reduzir conflitos tenha raízes antigas na evolução dos primatas.
Contato físico pode ter função social
O estudo amplia a compreensão sobre a vida em grupo desses animais. Os gestos de carinho não precisam ser vistos apenas como demonstrações de afeto. Em determinadas situações, eles podem ajudar a preservar relações mesmo quando existe competição por recursos.
Para chimpanzés e bonobos, um abraço antes de uma disputa pode funcionar como uma forma de reforçar a confiança e diminuir a tensão. A descoberta mostra que o contato físico pode ter um papel relevante na manutenção da estabilidade social entre primatas.



