Funcionárias e ex-funcionárias do Ministério das Mulheres, comandado por Cida Gonçalves, denunciaram situações de suposto assédio moral e racismo no órgão. Segundo o site Alma Preta, a ministra e sua secretária-executiva, Maria Helena Guarezi, foram citadas em 17 relatos que detalham um ambiente de trabalho marcado por perseguição, além de práticas discriminatórias.
Os depoimentos, colhidos de forma anônima, incluem a demissão de uma das secretárias do ministério, que teria ocorrido por priorizar atividades da campanha eleitoral. A ministra teria usado reuniões subsequentes para ameaçar o emprego de funcionárias ligadas à exonerada. Em gravações divulgadas, Cida Gonçalves aparece afirmando que quem integrava a equipe da ex-secretária deveria ser demitido, reforçando um ambiente de pressão e assédio.
Além disso, Guarezi é acusada de racismo por comentários sobre o cabelo crespo de Carmen Foro, então secretária de Articulação Institucional. Guarezi teria solicitado que Foro se sentasse durante uma reunião porque seu cabelo estaria “atrapalhando a visão”. Testemunhas relataram que, embora ciente do ocorrido, Cida Gonçalves não tomou providências.
As funcionárias também alegam que, frequentemente, havia menosprezo em relação a denúncias de racismo, com frases como “de novo isso de racismo?” e “lá vem essa história de mulher negra”.
Cida Gonçalves, em resposta ao Poder360, disse que seguirá no comando do ministério e que qualquer decisão sobre um possível afastamento é prerrogativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra afirmou que o órgão está preparando uma nota oficial sobre as acusações.
Apesar das denúncias, dados do SEI (Sistema Eletrônico de Informações) indicam que não há processos administrativos abertos contra Cida ou Maria Helena Guarezi. Porém, as acusações de assédio podem estar sob sigilo.
Ambiente de Trabalho Tóxico e Demissões
Desde o início da gestão de Cida Gonçalves, o Ministério das Mulheres já registrou 59 demissões no Diário Oficial da União (DOU), e funcionárias relataram problemas de saúde, como síndrome de burnout e crises de ansiedade, associadas ao ambiente de trabalho.
Solidariedade e Demissões
Em setembro, Cida Gonçalves se solidarizou com a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, após as denúncias de assédio sexual contra o então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. Almeida foi demitido do cargo, embora negue as acusações.
O caso envolvendo o Ministério das Mulheres segue sendo investigado, e a expectativa é que mais informações venham à tona nas próximas semanas.



