Enquanto milhões de brasileiros acompanham a reta decisiva da Copa do Mundo, o tradicional churrasco também entrou em campo, mas com um adversário difícil de driblar: os preços. Em 2026, cortes nobres da carne bovina registraram sucessivos aumentos, impulsionados pela corrida dos frigoríficos para exportar à China antes do esgotamento da cota anual com tarifa reduzida. O resultado é que a picanha prometida em discursos segue cada vez mais valorizada nas gôndolas.
A mudança ocorreu após o governo chinês estabelecer uma tarifa de 55% para exportações brasileiras que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas no ano, mantendo a alíquota de 12% dentro desse limite. Para aproveitar as condições mais vantajosas, frigoríficos concentraram embarques nos primeiros meses de 2026. Com menos carne disponível no mercado interno, os preços reagiram rapidamente. Dados do IBGE mostram que, apenas em maio, o filé-mignon subiu 4,4%, a picanha avançou 3,9% e o peito registrou alta de 3%.
Entre janeiro e maio, as exportações para a China cresceram 24% em relação ao mesmo período de 2025, e o país asiático respondeu por mais da metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil. Especialistas avaliam que a pressão sobre os preços decorre principalmente da redução da oferta interna. A expectativa é de algum alívio com o esgotamento da cota chinesa, mas o mercado já projeta novas altas no fim do ano, impulsionadas pela demanda internacional e por possíveis impactos climáticos sobre a produção pecuária. Até lá, para muitos consumidores, o churrasco da Copa pode continuar exigindo mais planejamento financeiro do que escalação de time.
Com informações do portal Enfoque MS.
































