Durante entrevista com Hildgard Angel para o TV 247, a pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina após cortes de verbas ocorridos entre 2015 e 2016, período do governo Dilma e início do governo Michel Temer. Segundo ela, a falta de recursos impediu o pagamento das taxas necessárias para manter o registro fora do país, abrindo caminho para que outros centros de pesquisa utilizem a tecnologia desenvolvida na universidade pública brasileira.
De acordo com a cientista, o pedido de patente foi iniciado em 2007, seguindo o trâmite padrão: registro nacional e posterior extensão internacional. No entanto, a interrupção do financiamento inviabilizou a manutenção da proteção fora do Brasil.
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“Os recursos da UFRJ foram cortados em 2015 e 2016, e não havia dinheiro para pagar a patente internacional. Parou de pagar as patentes internacionais, e a internacional foi perdida. Não pode refazer, não pode reapresentar. Podem copiar à vontade”, declarou.
A patente nacional só foi preservada porque a própria pesquisadora assumiu temporariamente os custos. “Eu paguei do meu bolso por um ano para poder não perder”, relatou.
Para Tatiana, a perda representa um impacto estrutural para a ciência brasileira. “Esses cortes de gastos têm consequências. A gente podia ter no Brasil a patente internacional”, afirmou, associando o episódio às decisões orçamentárias do período.
O que é a polilaminina e por que a perda preocupa
A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína naturalmente produzida pelo organismo humano que diminui com o envelhecimento. Desenvolvida em laboratório, a substância atua como uma ponte biológica capaz de restabelecer conexões entre neurônios danificados e o restante do corpo.
Resultados iniciais de testes clínicos indicaram recuperação de movimentos em seis de oito pacientes com lesões graves na medula espinhal. Entre os casos relatados está o de Bruno Drummond de Freitas, que sofreu um acidente de trânsito em 2018 com esmagamento completo da medula e apresentou recuperação significativa após o tratamento.
A pesquisa, que completa 28 anos em 2026, foi desenvolvida integralmente no Brasil, dentro da universidade pública. Formada em Biologia pela UFRJ, Tatiana Sampaio possui mestrado, doutorado e pós-doutorado pela instituição, onde chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas.



