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Antes de morrer, Emanuelly relatou agressões da família em Campo Grande

Meses antes de ser sequestrada, estuprada e assassinada em Campo Grande, a pequena Emanuelly Victória Souza Moura, de 6 anos, já havia denunciado situações de violência dentro de casa. Conforme matéria publicada pelo TopMídia News, documentos revelam que a criança relatou agressões cometidas pela mãe e pelo padrasto, além de sinais de negligência registrados pelo Conselho Tutelar Sul da Capital.

Em 17 de janeiro de 2025, Emanuelly foi levada ao posto de saúde pela bisavó do padrasto para uma consulta odontológica. Durante a triagem, ela contou à equipe de enfermagem que havia sido empurrada pela mãe. Em conversa com conselheiros tutelares, detalhou que a mãe arrancava seus cabelos quando ficava brava e que tanto ela quanto o padrasto a agrediam, inclusive com chineladas no rosto.

O relatório ainda apontava falhas aparentes no couro cabeludo, compatíveis com a violência relatada. A menina também disse que um tio chegou a dar tapas em suas nádegas, mas os conselheiros não conseguiram esclarecer se se tratava de violência física, sexual ou apenas comportamento inadequado no convívio familiar.

Apesar das denúncias, a família recebeu apenas orientações e advertências sobre cuidados básicos, sem aplicação de medida protetiva mais rígida. O documento recomendava acompanhamento de saúde física e psicológica, mas Emanuelly permaneceu em situação de vulnerabilidade.

Investigação de omissão

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu procedimento para apurar possível falha do Conselho Tutelar Sul no caso de Emanuelly. Em nota, o órgão afirmou que, se houver omissão, será analisada a relação com o desfecho trágico.

O Conselho negou falhas, disse que não havia elementos para justificar o acolhimento institucional e que a criança chegou a ser ouvida em depoimento especial, sem relatar violações. Em nota, classificou o crime como “hediondo e cruel”, sem ligação com sua atuação, e defendeu a criação de um Cadastro Nacional de Pedófilos, já que o autor tinha histórico de violência contra vulneráveis.

O crime

Emanuelly foi vista pela última vez em imagens de câmeras de segurança andando com o suspeito pela Rua São Gabriel, no bairro Taquarussu. Ao notar a cena, a mãe chegou a comentar com vizinhos: “olha meu bebê, é a Manu! Aonde ele vai levar ela?”.

Horas depois, a Polícia Militar encontrou a menina morta dentro de uma banheira, enrolada em uma coberta e escondida debaixo da cama na casa do suspeito, na Vila Carvalho. O homem foi morto em confronto com o Batalhão de Choque da PM.