Mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram críticas feitas por ele ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O diálogo ocorreu em 13 de julho de 2024 e foi enviado à influenciadora Martha Graeff.
Na conversa, Vorcaro reage a uma publicação feita por Bolsonaro nas redes sociais sobre uma reportagem do jornal O Globo. Segundo o empresário, a postagem do ex-presidente teria provocado grande repercussão contra ele nas redes.
“O pior de ontem foi ter o Bolsonaro postado”, escreveu o banqueiro. “Recebi mais de mil mensagens no Instagram.”
Naquele dia, Bolsonaro havia compartilhado uma reportagem que relatava a demissão de gerentes da Caixa Econômica Federal após impedirem uma operação de aproximadamente R$ 500 milhões envolvendo a compra de títulos do Banco Master.
Ao divulgar o conteúdo, o ex-presidente afirmou que os funcionários foram dispensados por terem barrado a transação e sugeriu que o caso seria mais um exemplo de pressões dentro do sistema financeiro.
Em resposta à repercussão, Vorcaro criticou Bolsonaro em mensagem privada. “Idiota”, escreveu o empresário à influenciadora. “Cara é um beócio. Alguém falou que era coisa do PT e ele postou.”
O banqueiro também comentou que aliados do ex-presidente entraram em contato após a publicação. “Depois todos os amigos, o próprio Ciro Nogueira ligou”, afirmou. “Mas não tinha como tirar.”
Conversas mostram proximidade com senador
Outras mensagens obtidas pelo jornal O Globo indicam uma relação próxima entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira, do Progressistas. Em um dos diálogos registrados em 2024, o empresário se refere ao parlamentar como “um dos meus grandes amigos de vida”.
Nos registros, Vorcaro também comemora a apresentação de uma emenda que, segundo ele, poderia beneficiar instituições financeiras de médio porte, entre elas o próprio Banco Master.
A proposta surgiu durante a tramitação da PEC 65/2023, que tratava da autonomia orçamentária do Banco Central do Brasil.
O texto sugeria ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, elevando o limite de proteção dos depósitos de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por correntista. A mudança, no entanto, acabou ficando de fora da versão final aprovada pelo Congresso.



