Yasmin Amorim, de 13 anos, portadora de um tipo agressivo de câncer chamado neuroblastoma, morreu nesta sexta-feira (6), em Cascavel (PR). A menina convivia com a doença desde os cinco anos e estava internada no Hospital do Câncer de Cascavel.
A informação foi confirmada pela família. Nas redes sociais, a mãe de Yasmin, Daniele Aparecida Campos, relatou que a filha teve uma piora na madrugada e não resistiu, apesar de uma corrente de oração marcada para ocorrer em frente ao hospital.
“Ela tinha um tumor no pescoço e no tórax. Iniciou o tratamento, que foi um sucesso, entrou em remissão, mas em 2020 a doença voltou”, contou a mãe. Yasmin passou por quimioterapia, transplante de medula óssea e cirurgias, mas o câncer recidivou várias vezes.
Em 2024, a família recorreu à Justiça para custear um tratamento com medicamentos importados avaliados em R$ 2,5 milhões, incluindo o remédio Danyelza. A empresa responsável pela compra, Blowout Distribuidora, subcontratou outra importadora, que não entregou os medicamentos na quantidade necessária. O hospital recebeu apenas uma ampola de Danyelza, quando seriam seis, e parte do medicamento Leukine, das 60 caixas previstas, chegou apenas 10.
Investigações da Polícia Civil mostraram que as contas das empresas envolvidas estavam praticamente zeradas, e que os responsáveis tinham antecedentes por estelionato. O governo do Paraná precisou autorizar uma compra emergencial da medicação, mas Yasmin não conseguiu concluir o protocolo do tratamento, e a doença avançou.
Empresários condenados
Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux, responsáveis pela compra da medicação, foram condenados por estelionato a quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão em regime inicialmente fechado. Eles estão presos desde agosto de 2025. Um terceiro denunciado foi absolvido.
Segundo a sentença, os réus se aproveitaram da estrutura pública e da reputação das empresas para obter vantagem indevida. A juíza destacou que o atraso no tratamento agravou o sofrimento da menina, que precisava de morfina a cada hora para controlar a dor.
“Sinto alívio, mas também revolta. A gente revive toda a angústia daquela espera”, disse Daniele Aparecida Campos. As defesas dos condenados anunciaram intenção de recorrer.



