Setores do agronegócio anunciaram nesta terça-feira (3) que irão suspender atividades em todo o país a partir do próximo domingo (7), caso o governo federal não apresente resposta às reivindicações dos caminhoneiros até sexta-feira (6). A decisão foi tomada em assembleias simultâneas realizadas em 12 estados, com participação de cooperativas, associações e movimentos como Agro Brasil e Movimento Brasil Verde e Amarelo, segundo o portal gr21.com.br.
A adesão ocorre em meio a reclamações de produtores sobre crédito caro, endividamento crescente, queda de preços agrícolas e dificuldades logísticas — temas que se somam à pauta dos caminhoneiros. “Sem caminhoneiro na estrada não tem soja no porto, não tem milho no confinamento, não tem leite na indústria”, afirmou o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, em transmissão ao vivo acompanhada por mais de 80 mil pessoas.
Os caminhoneiros já anunciaram início da greve para os dias 4 e 5 de dezembro.
Cronograma divulgado pelo setor
4 e 5 de dezembro – Caminhoneiros autônomos iniciam paralisação.
A partir de 7 de dezembro – Produtores rurais interrompem colheita, paralisam máquinas e suspendem o transporte de grãos e pecuária; frigoríficos devem receber menos animais.
A partir de 8 de dezembro – Cooperativas podem reduzir ou suspender embarques nos portos de Santos, Paranaguá, Rio Grande e São Francisco do Sul.
“Se até sexta-feira não houver sinalização concreta do governo — cumprimento da tabela de frete, renegociação das dívidas e redução do diesel — vamos parar o Brasil”, afirmou Sérgio Bortolozzo, coordenador do Movimento do Agro.
Principais demandas dos produtores
O conjunto de reivindicações divulgado nas redes sociais inclui:
Causas apontadas para a paralisação
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Juros elevados que encarecem o crédito rural.
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Aumento das importações de leite em pó, afetando a pecuária leiteira nacional.
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Endividamento crítico e impactos sociais, especialmente no Rio Grande do Sul.
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Insegurança jurídica ligada a embargos ambientais e demarcações.
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Risco de perda de propriedades por dívidas e invasões.
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Preços agrícolas abaixo do custo de produção.
Medidas solicitadas
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Redução dos juros via ajuste fiscal.
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Restrição à importação de leite em pó.
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Aprovação do PL 5.122/2023 para securitização das dívidas.
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Revisão de decretos de demarcação que, segundo o setor, não respeitam o marco temporal.
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Revogação do Decreto 11.995/2024.
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Cumprimento da Política de Preços Mínimos para produtos como leite, arroz e cana.
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Revisão dos investimentos do BNDES e criação de linha de crédito de R$ 40 bilhões.
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Moratória de 12 meses das dívidas rurais.
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Prorrogação automática de créditos em regiões em emergência ou com prejuízo comprovado.
Risco de impacto imediato
Analistas afirmam que, caso a paralisação do agro comece no dia 7, os reflexos podem aparecer em menos de 72 horas. A interrupção do transporte e da colheita pode reduzir rapidamente o abastecimento de alimentos nas grandes cidades.
Até o momento, o Ministério da Agricultura não se pronunciou oficialmente. Integrantes do governo tratam o movimento como “legítimo”, mas demonstram preocupação e articulam uma rodada de negociações para esta quarta-feira (4) com caminhoneiros e representantes do setor.
O país acompanha as movimentações à espera de um acordo que evite o que lideranças rurais classificam como “a maior paralisação conjunta entre agro e caminhoneiros desde 2018”.



