Os delegados Lucas Albé e Adilson Stiguivitis Lima apresentaram, nesta segunda-feira (17), novos detalhes sobre a morte do padre Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, em Dourados. A investigação indica que o caso se trata de latrocínio, afastando a narrativa de motivação sexual levantada pelo autor confesso do crime.
Leanderson de Oliveira Júnior, de 18 anos, admitiu ter atacado o padre com uma marreta e depois com uma faca. Ele afirmou ter reagido a um suposto abuso, mas, segundo a polícia, não há qualquer prova que dê sustentação à alegação. Para Albé, a dinâmica aponta para uma ação planejada e executada de surpresa, com o objetivo de dominar a vítima dentro da própria casa.
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Apreensões e depoimentos confirmam, segundo os delegados, que Leanderson pretendia roubar o Jeep Renegade do religioso e levá-lo ao Paraguai, onde esperava vender o veículo por aproximadamente R$ 40 mil. Celulares e outros objetos também estavam entre os itens visados. A premeditação afasta, na visão dos investigadores, qualquer hipótese de crime motivado por relação emocional ou sexual.
A polícia também apura o envolvimento de duas adolescentes, que teriam ajudado após o homicídio, recolhendo pertences e tentando limpar partes da residência. O corpo do padre foi colocado no porta-malas do Renegade e abandonado na Rua José Feliciano de Paiva, a Zé Tereré. Depois disso, o grupo circulou pela cidade e chegou a ir a um mercado, até ser identificado e abordado pelos policiais já com o carro da vítima.
O sumiço do padre chamou atenção dos familiares, que encontraram o celular dele em um terreno baldio próximo ao IFMS. O filho da moradora que localizou o aparelho afirmou ter visto um Renegade trafegando pela região, informação que coincidiu com as diligências em andamento.
Todo o material recolhido será submetido à perícia, que deve esclarecer eventuais divergências entre o que foi relatado pelos envolvidos e o que de fato ocorreu. A polícia destaca que o avanço rápido do caso se deve ao trabalho contínuo da equipe desde os primeiros sinais do desaparecimento.
Leanderson tem passagens anteriores pela polícia. As adolescentes não possuem histórico criminal. Todos são moradores de Dourados.



